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Greve geral tem prisões e violência na Espanha

Cerca de 800 mil protestaram nas principais cidades contra plano de reforma trabalhista

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2012 | 03h06

Pelo menos 800 mil manifestantes teriam saído às ruas das principais cidades da Espanha ontem, em protestos convocados para reforçar a greve geral contra a política de austeridade e contra a reforma do mercado de trabalho proposta pelo primeiro-ministro, Mariano Rajoy.

Só em Madri e Barcelona, cerca de 450 mil pessoas teriam se juntado aos cortejos, segundo cálculos do jornal El País. Na capital da Catalunha, em Pamplona, Valência e Zaragoza, além das duas principais cidades, houve tumultos, prisões e depredações.

As manifestações levaram a Espanha a viver um dia "à grega". Pela manhã, o Ministério do Interior divulgava números tentando indicar baixa adesão à greve nos serviços públicos. Mas os efeitos da paralisação se faziam sentir nos sistemas de trens e metrôs, na rede de ônibus e nos aeroportos.

Voos foram cancelados ou atrasaram em razão da adesão de funcionários de companhias aéreas. Escolas e universidades tiveram aulas suspensas e grandes fábricas do país, entre as quais a da Mercedes-Benz, da Volkswagen e da Michelin foram bloqueadas pelos grevistas.

A mobilização chegou à mídia espanhola. Tv3, Telemadrid, Canal Sur e Canal 9 saíram do ar ou tiveram cortes na programação, enquanto a redação do site do jornal Público também aderiu ao movimento.

Apesar das evidências, Cristina Díaz, diretora-geral de Política Interior do gabinete de Rajoy considerou o impacto da greve "muito moderado" sobre os serviços públicos ao longo da tarde. No final do dia, as principais passeatas se reuniram nos centros de Madri e Barcelona, para onde 175 mil e 275 mil pessoas teriam convergido, respectivamente, de acordo com avaliação feita pelo jornal El País. Para os sindicatos, a presença teria sido de 900 mil e 800 mil, respectivamente.

Em diversas cidades, houve distúrbios. Até o meio da tarde, 58 pessoas tinham sido presas por envolvimento em atos de vandalismo. Carros foram queimados, lixeiras incendiadas e vitrines de lojas que se recusaram a fechar, atacadas.

Em outras partes de Madri, seis policiais ficaram levemente feridos em confrontos com grupos sindicais e manifestantes contrários às políticas de austeridade, informou um porta-voz do Ministério do Interior.

Sem negociações. Liderando o pelotão na capital, o líder sindical Ignacio Fernández Toxo, da Confederação Sindical de Comissões de Trabalhadores (CCOO), discursou pressionando o governo de Rajoy a alterar o projeto de reforma do mercado de trabalho. "O governo terá de arcar com as consequências", afirmou. "Esta é a resposta justa a uma reforma brutal de nosso mercado de trabalho."

Ao longo do dia, a ministra do Emprego, Fátima Báñez, recusou-se a abrir negociações com os trabalhadores. "A reforma não vai parar", garantiu, descartando alterações no texto, que flexibiliza o mercado, reduzindo indenizações para demissões. O projeto foi aprovado no Parlamento por 197 votos a favor, com o apoio de quatro partidos.

Segundo Mariano Rajoy, a reforma é destinada a combater o desemprego, que bate na casa de 23,3% da população economicamente ativa - o maior índice da Europa, à frente da Grécia, inclusive. Prognósticos do Ministério do Emprego indicam que até o final do ano mais 630 mil postos de trabalho serão extintos no país, elevando o desemprego a 24,3%.

De acordo com a União Europeia, a economia espanhola deve enfrentar mais um ano de recessão, com decrescimento de 1,7% em 2012./ COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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