Greve já afeta Volks e Renault

Montadoras teriam deixado de produzir 7.040 veículos até ontem

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

10 de setembro de 2009 | 00h00

A greve dos metalúrgicos já traz prejuízos para as fábricas da Volkswagen-Audi e Renault-Nissan em São José dos Pinhais, no Paraná. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, até ontem as duas montadoras, juntas, deixaram de produzir 7.040 veículos.

Em campanha salarial, os cerca de 8,5 mil metalúrgicos da Volks-Audi e Renault-Nissan decidiram cruzar os braços na semana passada, porque as montadoras não apresentaram nenhuma proposta de aumento real de salário, além da reposição das perdas com a inflação. A data-base da categoria é 1º de setembro.

Com a produção parada desde o início da tarde de quinta-feira, a Volks já deixou de fabricar 3.920 automóveis, dizem os sindicalistas. A produção média diária na fábrica é de 840 carros dos modelos Fox, Crossfox e Golf. Desse total, cerca de 80% é comercializado no mercado interno. Os 20% restantes são exportados para Uruguai, Paraguai, Argentina, Chile, Estados Unidos, Canadá e Alemanha.

Já a Renault, cuja paralisação começou na sexta-feira e manhã, já deixou de fazer 3.120 carros, segundo o sindicato dos metalúrgicos. São produzidos na fábrica em média 780 automóveis por dia, dos modelos Mégane Sedan, Mégane Grand Tour, Logan, Sandero Master e Sandero Step Way. Também são produzidos o Livina e a picape Frontier, ambos no âmbito da parceria Renault-Nissan. Cerca de 80% desses veículos são destinados ao mercado interno e os 20% restantes são exportados para Argentina e México.

O prejuízo pode aumentar ainda mais. Ontem, os trabalhadores mantiveram a greve por tempo indeterminado, já que nem Volks nem Renault apresentaram nova proposta de reajuste.

Os metalúrgicos da Volks-Audi reivindicam 10% de reajuste, o que inclui aumento real além da reposição da inflação. Além disso, exigem um abono de R$ 2 mil. Na Renault, a reivindicação é a mesma, acrescida de 1% de aumento que ficou pendente da negociação de 2008.

Segundo o sindicato, a produção vinha em alta tanto na Volks-Audi como na Renault. A Volks comprou todos os sábados dos trabalhadores até novembro. Na Renault, foram feitas 600 contratações em agosto.

ABC

Em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, os sindicalistas prometem parar hoje o primeiro turno da Mercedes-Benz, Scania, Ford, Rassini, Mahle Metal Leve e Karmanghia.

As paralisações integram a semana de mobilização organizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC para pressionar as montadoras e autopeças a atender às reivindicações da campanha salarial. A categoria exige aumento real de salário, em índice a ser definido na mesa de negociações.

Na sexta-feira, cerca de 5 mil metalúrgicos, reunidos em assembleia, rejeitaram por unanimidade a proposta salarial das montadoras e das autopeças de repor apenas a inflação do período sem aumento real.

Em rodada de negociação realizada ontem, as montadoras não apresentaram nova proposta. Está prevista nova rodada amanhã. No sábado, haverá assembleia-geral decisiva na sede do sindicato.

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