Mark Lennihan/AP
Mark Lennihan/AP

Greve mundial de trabalhadores de fast-food terá adesão de sindicatos no Brasil

Movimento espera mobilizar 60 mil pessoas em 200 cidades de 35 países, incluindo trabalhadores brasileiros, por aumento salarial e melhores condições de trabalho

O Estado de S. Paulo

01 de abril de 2015 | 13h27

Atualizada às 18h26

SÃO PAULO - Greve de funcionários de lanchonetes de fast-food, de lojas de departamento, cuidadores de idosos, babás e auxiliares de professores deve reunir mais de 60 mil pessoas em todo o mundo, segundo os organizadores da paralisação. A greve está marcada para 15 de abril em 200 cidades de 35 países, incluindo o Brasil.

Esse movimento grevista começou há dois anos e meio nos Estados Unidos, quando 200 funcionários do McDonald's e de outras redes de fast-food se reuniram em Nova York para pedir aumento salarial e melhores condições de trabalho. Desde então, outras cidades de vários lugares do mundo aderiram às manifestações, que ocorrem em várias datas durante o ano. 


No Brasil, funcionários da rede McDonald's se reuniram na Avenida Paulista, em São Paulo, no dia 18 de março. Eles entregaram uma ação no Tribunal de Justiça do Trabalho para exigir o fim do acúmulo de funções, mais segurança no trabalho e pagamento de adicional por insalubridade. 

Os organizadores da greve do dia 15 de abril esperam mobilizar pelo menos 2 mil pessoas na Avenida Paulista. A paralisação é uma iniciativa do Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Restaurantes e afins de São Paulo (Sinthoresp), da Nova Central Sindical dos Trabalhadores (NCST) e da Confederação Nacional de Trabalhadores de Hospitalidade e Turismo (Contratuh). O movimento contará ainda com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da União Geral dos Trabalhadores (UGT) e de uma confederação e outras duas federações do ramo hoteleiro de São Paulo e Mato Grosso.

As categorias de comerciários, da indústria do papelão e de condutores já oficializaram apoio, e a paralisação está confirmada em São Paulo, Belo Horizonte e Brasília.

Nos Estados Unidos, os organizadores da greve também estão contando com a participação de estudantes de universidades e do ensino médio. Para conseguir isso, funcionários de redes de fast-food estão fazendo viagens para várias universidades do país, enquanto pastores de igrejas de Nova York, Chicago e Detroit divulgam a greve para seus frequentadores.

Segundo uma porta-voz do McDonald's nos Estados Unidos, essa série de paralisações de um dia praticamente não afetou seus restaurantes, e que raramente algum funcionário chegou a pedir demissão. "Esses eventos não são 'greves', mas manifestações organizadas para atrair a atenção da mídia", disse Heidi Barker Sa Shekhem. "Historicamente, pouquíssimos funcionários do McDonald's participaram desses eventos".

Para a funcionária do McDonald's Kwanza Brooks, da Carolina do Norte, o movimento grevista está ficando cada vez maior. "Quando nós começamos, poucas pessoas queriam participar. Elas estavam assustadas, com medo de perder o emprego", disse. "Mas o movimento está realmente crescendo, e pessoas que não sabiam que nós existíamos, agora sabem". Uma das reivindicações nos Estados Unidos é um piso salarial de US$ 15 dólares por hora. Atualmente, eles ganham US$ 7,25.

Enquanto enfrenta a ira de trabalhadores principalmente nos Estados Unidos, o McDonald’s vem tentando dar uma reviravolta em suas operações para voltar a crescer. Em fevereiro, a rede divulgou uma queda de 4% nas vendas em lojas abertas há mais de um ano nos Estados Unidos e de 1,7% em sua operação global. Além disso, a rede recentemente se envolveu em um escândalo alimentar que manchou a sua imagem. (Com informações do The New York Times)

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