Greve na GM continua e Volks e Ford dão férias coletivas

Greve na GM continua e Volks e Ford dão férias coletivas

As duas maiores montadoras do Vale do Paraíba, GM e VW, empregam mais de 10 mil; paralisação da GM teve início na sexta

GERSON MONTEIRO, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo - Atualizado às 10h30

23 Fevereiro 2015 | 09h21

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - A crise na indústria automobilística atinge fortemente um dos mais importantes polos de produção de veículos no país, o Vale do Paraíba, região a cerca de 80 km de São Paulo. Em São José dos Campos, a General Motors permanece com a produção paralisada por uma greve deflagrada na última sexta-feira, 20. 5,2 mil metalúrgicos cumprem horário de expediente dentro da empresa, mas nenhum veículo está sendo produzido.

Na primeira assembleia desta segunda-feira, que durou cerca de uma hora, teve a participação de aproximadamente 3 mil trabalhadores e contou com o apoio de outras sete centrais sindicais, entre elas os Sindicatos dos Metalúrgicos de São Paulo e de Minas Gerais, o Sindicato dos Químicos no Vale do Paraíba e a Federação Nacional dos Petroleiros.

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, o projeto da GM é demitir cerca de 800 trabalhadores. "A proposta é manter a greve e não recuar", apontou o sindicalista Antônio Ferreira de Barros, sob o carro de som.

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Só o que a GM ganhou com a propaganda do PDV na mídia já pagou esses 36 carros
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De acordo com Barros, até quinta-feira, 19, o Programa de Demissão Voluntária (PDV) aberto no complexo industrial teve a adesão de 84 metalúrgicos e apenas 36 trabalhadores haviam recebido o automóvel Prisma, prometido pela GM. 

"Só o que a GM ganhou com a propaganda do PDV na mídia já pagou esses 36 carros", criticou.

Olhares tensos e de preocupação foram os que mais se viu nos trabalhadores nesta manhã durante a assembleia com os sindicalistas. Quem se preparava para alcançar melhores postos de trabalho não esconde a decepção. "A gente se prepara, estuda, aí vem essa crise toda e diminui nossa expectativa de crescimento, desanima", comentou o mecânico de manutenção recém-formado em engenharia industrial, que trabalha na fábrica há 15 anos.

Quem estava acomodado com os 18 anos de empresa também está preocupado, como é o caso do metalúrgico Gisvagner Hora, que trabalha no setor de usinagem. Ele não tem ensino superior e caso seja demitido não tem projeto para manter a família e os dois filhos pequenos. "Vejo pela realidade dos amigos que saíram daqui, alguns já há dois anos desempregado. É difícil, não sei o que posso fazer, antes eu trabalhava no comércio, mas temos que pensar positivo", comentou.

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Assembleia teve a participação de 3 mil trabalhadores e contou com o apoio de sete centrais sindicais
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Nesta terça-feira, 24, está agendada uma audiência de conciliação entre a montadora e os metalúrgicos no Tribunal Regional do Trabalho em Campinas. No primeiro dia de greve a empresa emitiu nota indicando que a greve foi uma surpresa e que a expectativa era de que os 5,2 mil trabalhadores voltassem a produzir.

Em Taubaté, 250 funcionários da Volkswagen entraram hoje em férias coletivas por 20 dias. Em sete meses é a segunda vez que a montadora adota a medida, que serve para adequar a produção à demanda do mercado. Há 10 dias a montadora encerrou as atividades do terceiro turno de trabalho na unidade. Os cerca de 1700 trabalhadores do terceiro turno foram realocados para os outros dois turnos. No complexo são produzidos os modelos Gol, Voyage e Up!, onde são empregados mais de 5 mil trabalhadores.

A MAN, fabricante de caminhões e ônibus da Volkswagen, iniciou férias coletivas por dez dias também na fábrica de Resende (RJ). 

A Ford afasta a partir desta segunda-feira, por tempo indeterminado, grupo de 420 funcionários da linha de produção da fábrica de São Bernardo do Campo (SP), diminuindo o ritmo de produção na unidade. (Colaborou Igor Gadelha)


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