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Greve na GM termina após acordo com trabalhadores

Montadora e metalúrgicos aceitaram a proposta do TRT para oito meses de estabilidade; lay-off para 650 trabalhadores começa dia 9 de março

Igor Gadelha, Gerson Monteiro, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

26 Fevereiro 2015 | 09h06

Os trabalhadores da General Motors de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, votaram pelo fim da greve no complexo na manhã desta quinta-feira, 26. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, as partes chegaram a um acordo após a empresa garantir estabilidade para os colaboradores que serão colocados em lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho). A GM ainda não se pronunciou sobre o assunto.

O acordo aceito pelos metalúrgicos garante o emprego por oito meses, sendo cinco meses de lay-off para 650 trabalhadores a partir do dia 9 de março, mais três meses de estabilidade.

Em audiência de conciliação com a GM no TRT de Campinas, a montadora inicialmente havia recusado a proposta. No fim da tarde desta quarta-feira, 25, a empresa chamou a direção do Sindicato dos Metalúrgicos para anunciar o aceite. Ainda de acordo com a entidade, os quatro dias parados não serão descontados da folha de pagamento.

Na avaliação da direção da entidade, "o acordo garante que não haverá demissões, que era o objetivo principal da empresa" e que repete as bases do lay-off anterior. "Não é boa, mas pelo menos garante os empregos no momento", disse Luiz Carlos Prates, diretor do sindicato.

Após a votação pelo fim da greve, os 3 mil trabalhadores do primeiro turno retornaram imediatamente ao trabalho. À tarde, outros 2 mil trabalhadores serão comunicados do aceite da proposta que já havia sido aprovada na assembleia e inicialmente recusada pela montadora.

"Nós não podemos pagar pela crise, se demitir tem que parar", mobilizou o diretor na apresentação do aceite.

A eleição sindical pode ter provocado um impasse para o encerramento da greve já na terça-feira, 24, durante a audiência no TRT. O acordo poderia influenciar diretamente o resultado das eleições. Duas chapas disputam a eleição, ambas com grande representatividade dentro da montadora.

Acordo. O presidente do sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, explicou que o acordo proposto pela empresa prevê que 650 trabalhadores da fábrica de São José entrarão em lay-off a partir do próximo dia 9 de março e terão estabilidade de três mês após esse período. Segundo ele, a montadora se comprometeu ainda em não descontar os dias parados, que deverão ser compensados posteriormente. "A empresa assumiu ainda o compromisso de não haver nenhuma retaliação nem punição aos grevistas", acrescentou.

A reunião entre o sindicato e a GM ocorreu no fim da tarde desta quarta-feira, 25, em um hotel na cidade de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo. A proposta da empresa foi aprovada pelos trabalhadores durante assembleia no início da manhã desta quinta-feira, 26. Com isso, os funcionários do turno da manhã já retornaram à produção. De acordo com Macapá, outra assembleia será realizada no início da tarde, com os colaboradores daquele turno. "Foi uma vitória dos trabalhadores", comemorou o dirigente sindical.

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