Edson Passarinho/AFP
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Perdas com a greve na Petrobrás já chegam a R$ 219 milhões

Nos nove dias de paralisação dos petroleiros, 1 milhão de barris foram perdidos; sindicalistas estimam, no entanto, que prejuízo pode chegar a R$ 400 milhões

Fernanda Nunes, O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2015 | 21h03

RIO - A Petrobrás perde R$ 24 milhões a cada dia que avança a greve dos petroleiros, segundo cálculo da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que tem como afiliada a maioria dos sindicatos de petroleiros do País. Nos nove dias de paralisação de plataformas, a soma do prejuízo é de R$ 219 milhões, se considerada a projeção de queda da produção divulgada pela empresa, de 1 milhão de barris. Mas, se levada em conta a estimativa dos sindicalistas, de perda superior a 2 milhões de barris por dia, o prejuízo pode chegar a R$ 400 milhões. A Petrobrás ainda não se pronunciou.

A greve já tem efeito também sobre o comércio de combustíveis. Em alguns postos, falta gasolina. Mas o motivo não é diretamente a greve. Por causa de boatos de desabastecimento, consumidores estão correndo para encher o tanque dos carros, o que está provocando um descasamento entre oferta e demanda, de acordo com o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom).

Já a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), representante dos donos de postos de gasolina, apenas em Minas Gerais foi registrado caso de desabastecimento. A federação entrou em contato com os seus sindicatos filiados e o mineiro foi o único que informou estar com problema.

Já a FUP, que lidera a greve dos petroleiros, publicou um vídeo em sua página no Facebook, no qual o sindicalista Arthur Ragusa envia um recado à população, de que a mobilização não chegará aos consumidores. "Povo brasileiro, pode ficar sossegado. Não vai faltar gás no seu fogão, nem gasolina no seu carro", afirma.

A Petrobrás chegou a sinalizar que quer negociar com os petroleiros e marcou para esta terça-feira, 10, a segunda reunião realizada nesta semana, para responder às reivindicações levantadas pelos sindicalistas no dia anterior. No início da tarde, no entanto, representantes da FUP e também da Federação Nacional dos Pestroleiros (FNP), entidade dissidente, foram informados de que a reunião seria agendada para outro dia, ainda não definido. Em comunicado, a Petrobrás informou apenas que "está trabalhando em proposições com vistas ao fechamento do acordo coletivo de trabalho".

O texto não cita as reivindicações da FUP, batizada de Pauta pelo Brasil. A entidade pede a suspensão do plano de venda de ativos e a retomada do investimento. Mas, no documento, a Petrobrás demonstra intenção de negociar apenas o acordo de trabalhista de 2015. "A companhia está trabalhando em proposições com vistas ao fechamento do ACT (acordo coletivo de trabalho)", informou.

Reajuste salarial e benefícios trabalhistas fazem parte da pauta defendida pela FNP, que representa um número menor de sindicatos do que a FUP. A federação pede reajuste de 18%, mais do que o dobro do que a Petrobrás está disposta a conceder. A proposta da empresa é de aumento de 8,11%.

Como resposta à suspensão da reunião, os sindicalistas orientaram seus sindicatos a intensificar a greve. "Essa é a hora de fortalecer a luta em todas as refinarias, nas plataformas, nos campos terrestres, nas unidades de produção e de processamento de gás, nos terminais, nas usinas de biodiesel e nas termelétricas", informou a FUP, em nota oficial.

"A força do movimento tem impactado a produção de petróleo, o refino, o transporte e a geração de energia. Vamos, portanto, fortalecer ainda mais essa greve, que já é histórica", informa a FUP, em sua página na internet.

Segundo os sindicalistas, apenas na Bacia de Campos, 50 unidades marítimas foram mobilizadas no movimento. Com isso, mais de 2 milhões de barris de petróleo deixaram de ser produzidos desde o início da greve. Além da produção de petróleo, foram atingidos, em todo o País, o refino, o transporte e a geração de energia, de acordo com a FUP. 

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