Greve na Receita e queda do PIB favorecem resultado comercial

O superávit histórico da balança em agosto, de US$ 2,674 bilhões, não significa, necessariamente, avanços na política comercial brasileira. Há pelo menos dois aspectos que não podem passar desapercebidos ao se analisar os últimos números: a dificuldade nas operações de comércio exterior e o fraco desempenho da economia brasileira. O presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Carlos Delben Leite, lembra que a greve de fiscais e funcionários da Receita tem tido forte impacto no fluxo de comércio exterior, reduzindo, inclusive, as importações. De fato, os especialistas não negam que a queda de 10,66% nas compras externas em relação ao mesmo período do ano passado deu uma boa contribuição ao superávit recorde.Em seu Boletim Diário, a equipe de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco argumenta que a média diária das importações de agosto, de US$ 171,3 milhões, foi muito semelhante à de junho de 2002 (US$ 170,5 milhões), que foi o menor nível desde 1997. Levando em conta que os maiores recuos nas compras brasileira estão concentrados em bens de capital (-21,9%) e bens de consumo (-11,1%), setores ligados a investimentos e renda, os economistas do Brasdesco afirmam que os resultados estão intimamente ligados à fraca demanda doméstica. Ao mesmo tempo, vale destacar, que "a queda no consumo interno também gera um excedente exportável", dando mais fôlego às exportações. "Ainda que se destaque o desempenho das exportações no mês passado, o que realmente chama atenção é o fraco desempenho das importações", ressalta o Bradesco.

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