NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Greve na Receita pode trazer problemas para a Olimpíada, diz sindicato

Sem cumprimento do acordo de reajuste salarial e adoção de um bônus de eficiência aos auditores, paralisação deve aumentar

Adriana Fernandes, Eduardo Rodrigues, Rachel Gamarski, O Estado de S.Paulo

14 Julho 2016 | 14h13
Atualizado 14 Julho 2016 | 22h21

O primeiro dia de “operação padrão” dos auditores fiscais da Receita Federal nos aeroportos, portos e postos de fronteira causou transtornos aos passageiros e o movimento ameaça criar problemas para os turistas que chegarem ao País para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no começo do próximo mês. Nesta quinta-feira, 14, mesmo ocupando a antessala do gabinete do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, os servidores não foram recebidos pelo governo.

O aumento dos salários dos auditores havia sido acordado em 23 de março com o governo da presidente afastada Dilma Rousseff, mas a categoria ficou de fora dos projetos de recomposição salarial de servidores federais aprovados no Congresso. Agora, os funcionários da Receita pressionam para que o governo do presidente em exercício Michel Temer edite uma medida provisória garantindo o reajuste.

Cerca de 200 auditores fiscais passaram o dia na entrada principal do gabinete de Meirelles, mas o ministro não os recebeu. A Fazenda chegou a propor que o secretário executivo, Eduardo Guardia, se reunisse com a categoria, mas essa alternativa não foi bem recebida. Ainda assim, um encontro entre Guardia e os servidores foi marcado para a próxima quarta-feira.

Pressão. A “operação padrão” teve início ontem em todos os canais de entrada e saída do País. De acordo com o Sindifisco Nacional, o movimento vai ocorrer todas as terças-feiras e quintas-feiras no tratamento de cargas e bagagens. Há exceção, porém, para medicamentos, equipamentos hospitalares, insumos laboratoriais e produtos perecíveis.

O presidente do Sindifisco, Claudio Damasceno, informou que entre 80% e 90% dos auditores fiscais participaram do movimento. Ele alertou que a mobilização poderá trazer problemas para a Olimpíada, se não houver o cumprimento do acordo de reajuste salarial e adoção de um bônus de eficiência aos auditores, a partir de agosto. A tendência, disse ele, é de acirramento do movimento com mais dias de paralisação.

“Não é intenção dos auditores afetar a Olimpíada. Mas, se não houver solução, os Jogos poderão ter problemas”, disse Damasceno. Segundo ele, a “operação padrão” desta quinta foi muito forte, principalmente nos aeroportos de Campinas (SP), Manaus (AM) e Guarulhos (São Paulo), além das aduanas em Foz do Iguaçu, Uruguaiana e Porto de Paranaguá.

Nos aeroportos, estava previsto um pente-fino nas alfândegas nesta quinta, mas há possibilidade de que essa ação seja adotada permanentemente. Já nas demais repartições da Receita, não houve análise de processos e ações externas. Os auditores prometem ainda realizar a chamada “operação meta zero” nas segundas, quartas e sextas-feiras, que significaria o represamento de créditos resultantes das fiscalizações. 

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