Greve na Volks é mantida, mas sindicato deve adotar estratégia "surpresa"

Trabalhadores da Volkswagen de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, prometem manter nesta quinta-feira, 31, a greve iniciada na terça-feira à tarde, mas devem mudar a tática do movimento. Até agora, os funcionários de todos os setores entram na fábrica, mas não ligam as máquinas. A direção da montadora não fez contato para novas negociações com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que lidera o movimento em protesto contra 1,8 mil demissões anunciadas pela empresa.A manutenção do movimento foi ratificada em assembléias envolvendo todos os turnos de trabalho. A unidade emprega 12,4 mil pessoas. Os grevistas permanecem dentro da fábrica. Segundo trabalhadores, passam o tempo jogando dominó, truco, conversando e até contando piadas ?para espantar a tristeza?, afirmou um deles.Entre as opções de protesto que devem começar a vigorar, a partir desta quinta, estão a paralisação por setor, especialmente naqueles considerados essenciais, e manifestações públicas.Em nota, a Volks confirma que, na primeira quinzena de setembro, ocorrerá na sede do grupo em Wolfsburg, na Alemanha, reunião estratégica para decisão de novos investimentos para as operações da empresa no Brasil.Segundo a empresa, este é o prazo final para a fábrica Anchieta se adequar aos padrões de melhoria de produtividade e redução de custos (incluindo pessoal) exigidos pela matriz para ser contemplada com investimentos em novos produtos, fato que viabilizará o futuro da unidade. ?A empresa está sendo absolutamente clara e transparente ao indicar as graves conseqüências que ocorrerão caso não haja um acordo trabalhista. Desta vez, a questão está concentrada na existência ou não de futuro para a Anchieta, a maior operação industrial da Volkswagen no Brasil?, informou o vice-presidente de Recursos Humanos , Josef-Fidelis Senn.Produção comprometida Com a greve, deixaram de ser fabricados até agora cerca de 1,4 mil carros (Fox Europa, Polo, Gol, Kombi e Saveiro). A Anchieta também fornece peças estampadas como capôs e portas para as fábricas de Taubaté (SP) e São José dos Pinhais (PR), que ainda não foram prejudicadas. Os sindicalistas iriam manter uma equipe de plantão durante toda a noite para impedir a saída de caminhões com componentes para essas unidades.As 1,8 mil demissões fazem parte do plano de reestruturação da montadora, que prevê um total de 3,6 mil cortes até 2008. Embora tenham recebido cartas na terça-feira, os dispensados terão de trabalhar até 20 de novembro, quando vence o acordo de estabilidade feito na fábrica em 2001.?É um desrespeito, uma tragédia ficar dentro da fábrica sabendo que em novembro estará demitido?, criticou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo. ?Eles dificilmente terão condição humana de trabalhar com a dedicação de antes, assim como o colega que estará a seu lado?, afirmou o sindicalista, lembrando que isso coloca em risco a qualidade dos veículos que serão produzidos nesse período.Na Europa, onde a Volkswagen pretende eliminar 20 mil postos de trabalho, a empresa anunciou que 3,2 mil trabalhadores da fábrica alemã já assinaram acordos para encerrar sua relação de trabalho com a empresa. Desde junho, a montadora oferece aos 85 mil funcionários pacotes de desligamento com valores variando entre 41 mil euros (R$ 112 mil) e 250 mil (685 mil), dependendo da renda do trabalhador e o tempo de serviço.?Se aqui no Brasil a Volks oferecesse essas indenizações milionárias, teríamos de ficar no portão segurando trabalhador para não sair?, ironizou Feijóo.Hoje, trabalhadores de outras montadoras devem definir ações de apoio aos funcionários da Volks. Os funcionários da Volks do Paraná, que também enfrentam ameaça de 1,4 mil demissões, devem fazer paralisações de apoio na entrada de cada turno.Feijóo prevê que o movimento deve ter longa duração, por isso a estratégia será alterada sempre ?para enfrentar contra-ofensivas da empresa?, que já contratou serviços de segurança extra para permanecerem dentro da fábrica.

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