Greve não exime pagamento de contas em dia, diz Procon

Segundo a assistente da direção do órgão Fátima Lemos, pessoas devem buscar alternativas para quitar débitos

Giuliana Vallone, do estadao.com.br,

17 de julho de 2008 | 07h30

A greve dos funcionários dos Correios, que já dura 17 dias, não exime o consumidor de pagar suas contas em dia. A afirmação é da assistente da direção do Procon-SP Fátima Lemos. Segundo ela, a recomendação é que as pessoas busquem as empresas nas quais têm contas a pagar para conhecer outras formas de quitar seus débitos.   Veja também:  Assistente da direção do Procon-SP dá dicas aos consumidores       Acordo no TST fracassa e greve nos Correios continua   "O consumidor não pode esquecer que ele tem a obrigação do pagamento. Não é porque a conta não chegou que ele simplesmente vai deixar aquele valor pendente, sem procurar uma alternativa", afirmou. Fátima alertou que a situação pode se prolongar, já que existem milhões de correspondências que ainda não foram entregues e o consumidor pode se prejudicar.   De acordo com a assessoria dos Correios, desde o início da greve até a noite de quarta-feira, haviam chegado à empresa 360 milhões de correspondências, das quais 65% foram entregues - o que significa que 126 milhões de objetos continuam parados. Para entregar essa carga e normalizar as operações, se a greve terminasse na quarta, seriam necessários dez dias.   Fátima afirmou, porém, que as empresas também devem analisar e compreender a situação, evitando que os consumidores paguem multas e juros indevidos. "É recomendável que as empresas não cobrem encargos do consumidor, que está sendo prejudicado por essa situação, que é coletiva", disse. Ela sugeriu também que as companhias considerassem a prorrogação dos vencimentos das faturas.   Ela criticou a falta de disponibilidade de algumas empresas para facilitar a situação dos consumidores. "O que nos chama a atenção é que as empresas, sabedoras dessa situação, não estão disponibilizando formas fáceis (para que as pessoas paguem suas contas)", afirmou. De acordo com ela, em alguns call centers, o consumidor perde muito tempo para conseguir uma informação.   Fátima ressaltou que os consumidores que receberem novas faturas, com a cobrança indevida de multas e juros, deve procurar a empresa para receber outra conta, sem a inclusão desses valores. "Se ele eventualmente pagar uma conta com juros e multa indevidos, ele tem todo o direito de receber isso de volta", disse.   A recomendação é que, para receber esse ressarcimento, o consumidor busque negociar diretamente com a empresa. "Se a negociação de via direta não for possível, aí sim ele deve procurar o Procon", afirmou Fátima.   O consumidor que passar por algum constrangimento, caso haja insistência por parte da empresa em mandar uma conta com cobrança de valores indevidos, pode pedir indenização, completou.

Mais conteúdo sobre:
CorreiosGreveProcon-SP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.