Greve no IBGE tem adesão de 70%, diz sindicato

Funcionários de 20 dos 32 núcleos do instituto aprovaram a paralisação, calculam os trabalhadores; grevistas pedem aumento salarial e saída imediata da presidente Wasmália Bivar

Daniela Amorim, Agência Estado

27 de maio de 2014 | 17h29

A greve dos servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) conquistou a adesão de mais quatro unidades do órgão nesta terça-feira, 27. Ao todo, funcionários de 20 dos 32 núcleos do instituto no País já aprovaram a paralisação, o equivalente a 70% do quadro de 5.700 empregados efetivos, segundo os cálculos do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatísticas (ASSIBGE-SN).

No Rio de Janeiro, que concentra cerca de 50% dos servidores, todas as cinco unidades confirmaram a greve. O ASSIBGE estima que a adesão dos trabalhadores ao movimento nas filiais paralisadas esteja entre 65% a 70%. "O indicador que aprovamos a divulgação é a Pnad Contínua do dia 3 de junho. Os demais nós entendemos que os trabalhadores em greve não devem divulgar, mas não sabemos o que vai acontecer", alertou Susana Drumond, diretora da ASSIBGE-SN, sobre o risco de que a paralisação dos trabalhos atrapalhe as pesquisas conduzidas pelo instituto.

Os núcleos em greve estão distribuídos por Rio de Janeiro, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, Bahia, Acre, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. "Esses são os maiores núcleos. O grosso da categoria já aprovou a greve", apontou Susana.

Novas assembleias regionais serão realizadas ao longo da semana nas demais unidades. Segundo Susana, a ordem de cortar o ponto dos grevistas, proveniente do Ministério do Planejamento, ao qual o IBGE é subordinado, não enfraquecerá o movimento.

"Na última greve isso também aconteceu. Infelizmente, eles usam esse expediente de ameaçar o lado mais fraco, em vez de nos chamar para conversar. Mas não funcionou da outra vez e também não vai funcionar agora", afirmou a diretora do sindicato.

A última greve dos trabalhadores do órgão foi em 2012, com duração de dois meses. A divulgação da Pesquisa Mensal de Emprego, que fornece a taxa de desemprego para as seis principais regiões metropolitanas do País, chegou a ser afetada. Os dados do Rio e de Salvador não ficaram prontos a tempo da divulgação. O ponto dos trabalhadores em greve foi cortado, mas Susana disse que o governo concordou em devolver os salários posteriormente, mediante compromisso dos servidores de compensar as horas não trabalhadas com jornadas diárias mais longas e aos sábados.

O IBGE informou que a paralisação dos servidores no primeiro dia de greve, nesta segunda-feira, foi parcial e atingiu 11 Unidades Estaduais, além da Sede e de Parada de Lucas, no município do Rio de Janeiro. "Em todo o País, a adesão foi de 12% dos trabalhadores. O calendário de divulgações está mantido", divulgou o órgão, em nota.

Na pauta de reivindicações dos grevistas estão realização de concurso público para preenchimento de mais de quatro mil vagas e valorização salarial ao mesmo patamar que órgãos como Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários. Os servidores também pedem a saída imediata da presidente do IBGE, Wasmália Bivar, dos membros do conselho diretor e dos chefes de unidade com mais de quatro anos no cargo.

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