Agustin Marcarian/Reuters
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Greve nos transportes paralisa Argentina e atinge voos

Controladores de voo de Ezeiza aderem a movimento, o que aumenta número de viagens internacionais suspensas; TAM cancelou sete voos e Gol, oito; Buenos Aires não tem ônibus, trens e metrô

Rodrigo Cavalheiro, O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2015 | 08h56

Texto atualizado às 17h

BUENOS AIRES - Os controladores de voo do Aeroporto Internacional de Ezeiza aderiram à greve geral argentina no meio desta terça-feira, 9. Até então, os cancelamentos na principal via de entrada aérea ao país atingiam apenas os rotas das companhias Aerolíneas Argentinas, Austral e LAN, cujos funcionários aderiram à paralisação. O aeroporto doméstico da capital, o Aeroparque, não funcionou em nenhum momento. Com a decisão dos controladores, a tendência é que viagens de outras empresas sejam desviadas ou suspensas até a meia-noite. No início da tarde, a Gol informou que todos seus oito voos para e de Buenos Aires foram cancelados. A TAM já havia anunciado na noite de segunda-feira o cancelamento de sete voos (quatro de ida e três de volta) entre Brasil e Argentina. 

A greve geral é liderada por sindicatos de transportes. Em Buenos Aires, ônibus, trens e metrô não funcionam, o que deixou como alternativas a quem pretendia ir trabalhar os táxis (em geral, os conduzidos pelos próprios proprietários), as bicicletas e a carona em carros particulares. 

De madrugada, ativistas começaram bloqueios sistemáticos nas principais entradas da capital, estratégia usada na paralisação do dia 31 de março. As estradas passaram a ser liberadas por volta das 11 horas e os manifestantes marcharam do Obelisco, ponto turístico na principal avenida da cidade, a 9 de julho, até o Congresso. Embora não houvesse dados dos sindicatos sobre a adesão, o protesto de hoje pareceu menos eficaz que o de março, pelo maior número de lojas abertas.

Como os postos de gasolina não abrem, os taxistas trabalham enquanto há combustível. A coleta de lixo na capital será retomada somente à noite e a maior parte dos bares e restaurantes não deve abrir. Bancos e supermercados funcionam, mas sem os empregados impedidos de chegar ao trabalho. Nos hospitais, só os serviços de emergência são mantidos.

A razão da greve é a resistência do governo em ampliar a faixa de isentos ao imposto sobre o salário, hoje em 15 mil pesos (R$ 5,1 mil). O tributo que desconta até 35% da renda, de acordo com a faixa salarial. O kirchnerismo aceitou reduzir o valor cobrado dos que ganham entre 15 mil pesos e 25 mil pesos, o que na prática significou um aumento no salário líquido de 5% a 6%. Também querem um salário mínimo de 8.600 pesos (R$ 2.950).

O ministro dos Transportes, Florencio Randazzo, referiu-se à falta de transporte como uma "detenção domiciliar de milhões de trabalhadores". Esta é a quinta greve enfrentada pelo governo de Cristina Kirchner, pressionada pela insatisfação com a inflação ­de 15% anual pela estatística oficial e de até 25% segundo consultoras privadas. Os líderes das categorias querem um reajuste superior a 30%, enquanto o governo quer manter os aumentos abaixo dos 27%. O país tem eleição em outubro.

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