Greve pode paralisar obras das usinas do Madeira (RO)

Os funcionários dos canteiros de obras das usinas Santo Antônio e Jirau, do Rio Madeira (RO), podem interromper as atividades a partir da próxima semana em busca de melhores condições de trabalho. A greve, que paralisaria a construção das hidrelétricas, poderá ter início a partir de quarta-feira, segundo o administrador do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil do Estado de Rondônia (Sticcero), Anderson Machado. "Buscamos uma reunião intermediada pelo Ministério Público do Trabalho para discutir o tema até terça-feira. Mas se não houver evolução, não está descartada a greve", explicou o representante.

WELLINGTON BAHNEMANN, Agencia Estado

04 de setembro de 2009 | 18h27

Inicialmente, os trabalhadores iriam paralisar as atividades no canteiro de obras a partir de segunda-feira, dia 7. Isso foi decidido em assembleia realiza na segunda-feira passada caso não houvesse nenhuma manifestação do Sindicato da Construção Pesada do Estado de Rondônia (Sinicon), representando as concessionárias Santo Antônio Energia e Energia Sustentável do Brasil. Segundo Machado, os funcionários pedem a elaboração de uma nova convenção coletiva de trabalho, que divide a atividade da construção civil em Rondônia em quatro categorias. "A nossa proposta é de um detalhamento maior de todas as atividades, estabelecendo um novo piso salarial para cada função", disse o administrador.

Além disso, o sindicato reivindica um reajuste salarial de 10% e a concessão de benefícios, tais como assistência médica e odontológica e o direito de visita a parentes que moram em outros Estados. Os trabalhadores também exigem melhores condições de trabalho, porque uma das principais reclamações é de assédio moral. "Há denúncias de que, no canteiro de Santo Antônio, a polícia ambiental do Estado age como segurança particular da concessionária", exemplificou Machado.

Nesta semana, o Sinicon enviou a contraproposta, abordando apenas a questão do aumento salarial. "O sindicato patronal propôs um aumento de entre 7% e 8% com base na convenção trabalhista anterior, sem tocar nos demais itens da pauta de reivindicação. Essa proposta não chega perto da demanda dos trabalhadores", afirmou Machado.

O presidente do Sinicon, Renato Lima, confirmou a informação repassada pelo Sticcero. Porém, o executivo justificou que a proposta aborda apenas o reajuste salarial porque foi esse o acerto na negociação do ano passado. "No reajuste de 2008, concedemos uma série de benefícios aos trabalhadores. Com isso, ficou acertado que as discussões deste ano apenas abordariam o reajuste salarial", disse. A data-base da categoria no Estado é 1º de maio, o que não ocorreu este ano porque, na época, o Sticcero não possuía diretoria por estar sob intervenção da justiça.

Lima afirmou que o sindicato dos trabalhadores está exigindo salários dobrados para algumas funções, o que não seria possível cumprir nesse cenário de crise econômica. O executivo disse que o Sinicon aguarda uma manifestação formal do Sticcero para que a primeira reunião seja realizada entre as partes para negociar as reivindicações. "Observamos que os trabalhadores estão se aproveitando de duas grandes obras no Estado para reivindicar um maior número de benefícios", avaliou.

Procuradas pela reportagem da Agência Estado, a Santo Antônio Energia, responsável por Santo Antônio, e a Energia Sustentável do Brasil, concessionária de Jirau, não se manifestaram oficialmente, sob o argumento de que a questão envolve os dois sindicatos. As duas usinas somam 6,45 mil megawatts (MW) de potência e estão previstas para entrar em operação entre o final de 2011 e início de 2012.

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