Greve pode reduzir produção da Petrobras em 7,5 mi de barris

Estimativa é do sindicato, que exige o reconhecimento do dia de desembarque como dia de trabalho

Tatiana Freitas, da Agência Estado,

12 de julho de 2008 | 16h04

A paralisação dos petroleiros embarcados nas 42 plataformas da Petrobras na Bacia de Campos, planejada para ocorrer a partir da segunda-feira, 14, pode provocar uma queda de 7,5 milhões de barris de petróleo na produção da estatal, caso a adesão seja total e a greve dure os cinco dias planejados inicialmente. A estimativa é do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF). O cálculo considera a produção média de 1,5 milhão de barris de óleo por dia da Bacia de Campos, que representa aproximadamente 80% do total produzido no País.  Veja também:Greve na Petrobras pode pressionar preços do petróleo, diz FTPossível greve no Rio não impacta produção, diz Petrobras Preço do petróleo em alta Duas mobilizações parciais de 72 horas já foram feitas por funcionários da Petrobras embarcados, mas em serviços que não afetam diretamente a produção de petróleo. Segundo o sindicato, as paradas ocorreram entre os dias 30 de junho e 2 de julho e entre os últimos dias 7 e 9, o que seria uma demonstração de que os petroleiros estariam propensos a aderir à greve programada para a próxima semana. Na última sexta-feira, uma reunião realizada entre representantes do Sindipetro-NF, Petrobras e Ministério Público do Trabalho terminou sem acordo. Segundo o diretor de Comunicação do Sindipetro-NF, Marcos Breda, as partes se reuniram em busca de consenso para permitir uma produção mínima durante o período de greve, mas não houve sucesso. O impasse entre a empresa e o Sindipetro-NF refere-se à maneira como a companhia mede a jornada de trabalho dos petroleiros. O Sindipetro-NF pede o reconhecimento do dia de desembarque das plataformas como dia de trabalho. Hoje, os turnos na Bacia de Campos são de 14 dias de trabalho embarcado por 21 de folga. Como o primeiro dia de folga é praticamente perdido no transporte entre a plataforma e o continente, conforme argumentam os trabalhadores, o sindicato propõe uma mudança nos turnos para 15 dias trabalhados e 20 de folga, para efeitos de pagamento. A outra reivindicação dos trabalhadores, por um aumento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), é levada à estatal por meio da Federação Única dos Petroleiros (FUP), pois trata-se de um pleito que tange os funcionários da companhia em todas as unidades no País. Na próxima terça-feira, a FUP decidirá se a greve será de alcance nacional. Na sexta-feira, em São Paulo, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse que a estatal está preparada para que uma eventual paralisação não afete o volume produzido. "Vamos montar um plano de contingência e exigir condição mínima para manter a produção", afirmou.

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