Nilton Cardin
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Greve que parou montadoras acaba em violência

Paralisação em empresa de forro para tetos de carros levou à suspensão da produção em sete fábricas; houve violência antes do retorno ao trabalho

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2015 | 02h04

Após 19 dias, terminou nesta segunda-feira a greve de trabalhadores na Intertrim/Trimtec, de Caçapava (SP), fabricante de revestimentos de tetos e outros componentes para a indústria automobilística.

Por falta da peça, sete fábricas da General Motors, Toyota, Volkswagen, Ford e Renault suspenderam a produção entre quinta-feira e ontem. Na Honda, carros foram deixados incompletos no pátio. O problema ocorre num momento em que as empresas já vêm suspendendo a produção voluntariamente por excesso de estoque.

Os 715 funcionários voltaram ao trabalho após a empresa melhorar o acordo salarial que já havia sido acertado com o Sindicato dos Têxteis de Taubaté e o Sindmestres, representantes dos operários e do pessoal administrativo da fábrica.

Segundo a Intertrim, deve levar uma semana para que a produção seja normalizada. A empresa trouxe reforço de 30 operários da filial do grupo na Bahia para abrir temporariamente um terceiro turno na fábrica.

A Ford avisou que continuará com a produção de carros em São Bernardo do Campo (SP) parada hoje. A Renault também não vai produzir na linha do Paraná. As demais montadoras retomam as atividades hoje.

O reajuste salarial passou de 10,33% para 11%, houve melhora nos valores para vale-refeição e cesta básica, além da reintegração de 19 demitidos por justa causa durante a greve.

Antes da assembleia que aprovou o fim da greve na manhã de ontem, ocorreu uma briga entre representantes das centrais Força Sindical (à qual o Sindmestres é filiado) e do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (que reivindica na Justiça a representatividade dos operários por considerar a empresa uma autopeça). Ninguém ficou ferido gravemente.

Jorge Ferreira, do Sindmestres, disse que o sindicato opositor incitou a greve. Luiz Carlos Prates, dos Metalúrgicos, afirmou que atende pedido dos trabalhadores que querem mudar sua representatividade.

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