Greve volta a parar obras da usina de Belo Monte

Pela segunda vez em menos de 20 dias, trabalhadores da maior obra do PAC decidem cruzar os braços; consórcio não atendeu a dois itens da pauta

FÁTIMA LESSA , ESPECIAL PARA O ESTADO / CUIABÁ, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2012 | 03h02

As obras nos canteiros de obra da Usina Hidrelétrica Belo Monte na Volta Redonda do Xingu, em Altamira do Pará, votaram a parar ontem. É a segunda paralisação da maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em menos de 20 dias.

Atualmente 60% dos trabalhadores moram em Altamira e os outros 40% são alojados nos canteiros. Estão funcionando apenas 30% dos serviços - os essenciais previstos em lei. O clima é de tensão, mas não há atos de vandalismo ou agressões por parte dos grevistas.

Os cerca de 7 mil trabalhadores decidiram cruzar os barcos argumentando que o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) não atendeu a duas questões da pauta de reivindicações que estava sendo negociada há alguns dias.

Os pontos que não foram atendidos são o aumento do valor da cesta básica, que é hoje de R$ 95 (os trabalhadores pedem R$ 300), e a diminuição do intervalo da baixada (direito de visitar a família) de seis para três meses. Todos esses itens já são cumpridos em outras obras do mesmo tipo, "e só o CCBM não quer aceitar", segundo o vice-presidente do Sintrapav do Pará, Roginel Gobbo.

O CCBM disse que a "paralisação surgiu do não atendimento de reivindicações realizadas fora da data-base da categoria, e em plena vigência do Acordo Coletivo de Trabalho de 2012" e por essa razão, "amparado na legislação vigente, está tomando todas as medidas judiciais visando ao encerramento do movimento e o retorno dos funcionários ao trabalho".

Bloqueio. Gobbo disse que desde a madrugada os trabalhadores estavam alertas para evitar o reinício dos trabalhos. Para garantir a paralisação, eles fecharam a passagem dos ônibus no quilômetro 27 da Rodovia Transamazônica, principal via de acesso aos cinco canteiros: Unidade Porto e Acessos; Sítio Canais e Diques; Sítio Pimental; e Sítio Belo Monte.

De acordo com Gobbo, o Sintrapav solicitou ao CCBM a identificação dos ônibus que transportam os trabalhadores dos serviços considerados essenciais. O sindicalista reafirmou que a organização sindical está aberta à negociação e espera a manifestação do Consórcio para o atendimento aos dois itens que faltam.

Uma das estratégias adotadas pelos trabalhadores foi colocar um carros de som próximo aos principais sítios para explicar sobre a greve e lembrar que eles votaram pela paralisação. "Se eles argumentarem a ilegalidade, nós iremos defender a legalidade", disse Gobbo.

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