Greves ameaçam produção de carros

Metalúrgicos paralisam fábricas no Paraná e em São Paulo para pressionar empresas a darem aumento salarial

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

Em campanha salarial, os cerca de 8,5 mil metalúrgicos da Volkswagen/Audi e da Renault/Nissan, de São José dos Pinhais, no Paraná, mantiveram ontem a greve por tempo indeterminado aprovada na sexta-feira. Em Taubaté, interior paulista, 6,3 mil trabalhadores do primeiro turno da Volkswagen e da Ford e de seis autopeças que atuam dentro das montadoras aderiram à paralisação que teve início sexta-feira, quando o segundo e o terceiro turnos cruzaram os braços em protesto de 24 horas contra a disposição das empresas de não negociar aumento real de salários.

A proposta de montadoras e das autopeças prevê apenas reposição das perdas com a inflação, estimada em 4,7%. A categoria, que soma 160 mil metalúrgicos na base da Central Única dos Trabalhadores (CUT)no Estado de São Paulo e tem data-base em 1º de setembro, reivindica aumento real em porcentual a ser definido nas negociações.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região, Isaac do Carmo, disse que não dá para abrir mão do aumento real diante do cenário de aquecimento da produção e das vendas neste ano, que foi proporcionado pelas medidas de combate à crise do governo federal, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), entre outros.

As paralisações ocorrem justamente num período em que as montadoras querem ampliar a produção para formar estoques e aproveitar um possível aumento nas vendas nas últimas semanas de IPI reduzido. A partir de outubro, o benefício será retirado de forma gradativa, até janeiro.

Em rodada de negociação realizada ontem, a bancada das autopeças não apresentou nenhuma contraproposta. O negociador do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Drausio Rangel, disse que a reunião foi prejudicada pelas fortes chuvas na região metropolitana de São Paulo. Ficou agendado novo encontro para sexta-feira. Hoje, haverá negociação com as montadoras.

No ABC paulista, os sindicalistas programaram uma semana de mobilização para pressionar empresas. Metalúrgicos das autopeças param hoje e na sexta-feira. Amanhã, será a vez de os trabalhadores das montadoras paralisarem a produção. No sábado, haverá assembleia que poderá decidir por uma greve por tempo indeterminado.

No Paraná, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, ligado à Força Sindical, negocia diretamente com as empresas. Ontem, a entidade realizou assembleia informativa para comunicar que as empresas não apresentaram nova proposta.

Os trabalhadores da Volkswagen/Audi e Renault/Nissan voltaram para casa e a greve por tempo indeterminado continua. Eles querem 10% de reajuste, que inclui aumento real e reposição integral da inflação.

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