Greves na Argentina afetam exportação de grãos

As greves convocadas pela maior federação agrícola da Argentina e por proprietários de frotas de caminhões interromperam hoje o fluxo de exportação de grãos nos portos do Oceano Atlântico e do Rio Paraná. A Federação Agrária Argentina (FAA) anunciou uma adesão massiva na paralisação de seus 120 mil afiliados na província de Buenos Aires, Cordoba, Entre Rios, La Pampa e Santa Fé. O presidente da FAA, Eduardo Bussi, disse que desde que a greve de quatro dias começou, os produtores bloquearam as estradas federais e as das províncias que levam aos portos, em mais de 30 regiões. Eles querem que o presidente argentino Eduardo Duhalde cumpra as promessas de ajudar pequenos e médios produtores a recuperar seus lucros, com políticas imediatas e de longo termo. Isso inclui um cronograma para reduzir a taxa de 20% sobre exportações de grãos, oleaginosas e derivados; uma solução para reduzir os débitos em dólar com os fornecedores de insumos e com bancos estatais; e pressão sobre companhias de petróleo para limitar os preços em alta do diesel. A FAA mostrou-se decepcionada com o fato de que Duhalde não discutiu com a entidade a disputa com tradings, que estão pagando apenas 90% do preço dos grãos registrado nas faturas, e o restante num prazo de 120 dias. Os exportadores estão agindo deste modo para proteger-se da taxa de 21% sobre valor agregado (VAT) que estão pagando por grãos, oleaginosas e outros produtos. O governo deve US$800 milhões em reembolso da VAT desde o quarto trimestre no ano passado. Outras três organizações agrícolas não aderiram formalmente à greve, embora os relatos dizem que alguns de seus afiliados apóiam a paralisação por todo o país. A Coninagro, que representa cooperativas, a Confederações Rurais Argentinas (CRA), que reúne produtores de grãos de médio e grande porte, bem como pecuaristas, e a Sociedade Rural Argentina (SRA), a mais velha e prestigiosa organização agrícola, que fala em nome dos produtores agrícolas e pecuaristas mais ricos, não assinam a convocação de greve. O governo Duhalde aumentou a intervenção na economia rural a um grau que não se via há 15 anos. Proprietários de frotas de caminhões juntaram-se aos piquetes da FAA nas rodovias ao longo do cinturão de grãos, para protestar contra as altas de preços e a escassez do óleo diesel, desde que Duhalde impôs a maxidesvalorização do peso, em janeiro. Caminhoneiros em Cordoba alegaram que apenas cinco postos na província estão vendendo diesel a 75 centavos de peso por litro, valor acordado em abril entre o setor, o governo e as companhias de petróleo. O preços corrente nos postos é de 1,50 peso por litro, dizem os transportadores. Reclamações similares foram feitas por caminhoneiros independentes, que devem juntar-se à paralisação amanhã. Oficiais dos quatro maiores fornecedores de óleo de diesel Repsol YPF, Esso, Shell e Petrobras não fizeram comentários sobre os preços e o abastecimento. No início do mês, a Esso e a Shell concordaram que não tinham escolha a não ser aumentar os preços para compensar os custos mais altos do petróleo, avaliado em dólares.

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