Greves que persistem em SP e PR afetam as montadoras

Metalúrgicos da GM, Volkswagen e Renault-Nissan continuam paralisados e produção é comprometida

Michelly Chaves Teixeira, da Agência Estado,

14 de setembro de 2009 | 11h45

Metalúrgicos da região de Taubaté e do grande ABC puseram fim às paralisações ao aceitar as propostas de reajuste salarial feitas neste fim de semana pelas montadoras. Porém, greves em São José dos Campos (SP), onde está instalada a fábrica da General Motors, e em São José dos Pinhais (PR), com presença da Volkswagen e do grupo Renault-Nissan, ainda comprometem parte da produção de veículos.

 

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Os metalúrgicos da General Motors rejeitaram nesta segunda-feira, 14, a proposta de reajuste salarial apresentada pelas montadoras e iniciaram greve de 24 horas. Esta é a segunda parada em quatro dias, informou, em nota, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, filiado à Conlutas. Amanhã, os trabalhadores farão nova assembleia para avaliar a situação.

 

O Sindicato dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea) propôs 6,53% de reajuste, sendo 4,4% de reposição da inflação, 2% de aumento real, além de R$ 1.500,00 de abono. Mas os filiados à Conlutas reivindicam 14,65% de reajuste, dos quais 8,53% se referem a um aumento real, mais a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

 

No caso de São José dos Pinhais (PR), a greve dos funcionários da Volkswagen e da Renault-Nissan ocorre por tempo indeterminado. Amanhã, uma nova assembleia será realizada pelos sindicalistas. Na Volvo, os trabalhadores continuam em atividade, embora aguardem nova proposta da fabricante - os sindicalistas querem R$ 2.000,00 de abono, mais correção salarial de 3%, além do INPC.

 

Em contrapartida, os metalúrgicos da região de Taubaté e do grande ABC aprovaram no fim de semana a proposta de reajuste salarial feita pelas montadoras associadas ao Sinfavea. Ficou acertado que o abono de R$ 1.500,00 será pago em 25 de setembro. Já o porcentual de reajuste, de 6,53%, equivale a uma variação de 4,44% do INPC no acumulado de 1º de setembro de 2008 a 31 de agosto de 2009, mais 2% de aumento real. Como explicou o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região, o reajuste será concedido para os salários até o teto de R$ 7.000,00. Para os salários superiores ao teto (R$ 7.000) será incorporada a parcela fixa de R$ 457,10. O piso salarial também será reajustado e passará de R$ 1.250 para R$ 1.275.

 

"Conquistamos o aumento real graças ao empenho e mobilização dos trabalhadores nas Montadoras e agora vamos intensificar as mobilizações nos demais setores de nossa categoria", disse Isaac do Carmo, presidente do sindicato, referindo-se aos setores de máquinas e eletrônicos, além de laminação e trefilação nas autopeças. "Não tivemos avanços nas propostas destes grupos, e os patrões têm esta semana para negociar um acordo que contemple estes trabalhadores", afirmou Isaac. Uma nova assembleia será realizada na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região no próximo domingo, dia 20, para avaliação das negociações destes grupos e para novos encaminhamentos da categoria.

 

Além do reajuste de 6,53%, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que atua em área onde funcionam as montadoras Volkswagen, Ford, Mercedes, Scania e Toyota, conseguiu da Volkswagen de São Bernardo do Campo a contratação imediata de cerca de 200 trabalhadores horistas para a linha de produção. As contratações ocorrem por conta do aumento da demanda e preparação para novos lançamentos. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, o reajuste conseguido pela categoria "é o maior índice real conquistado no País neste ano de crise".

 

Conforme Nobre, os trabalhadores dos demais grupos do setor metalúrgico, entre eles autopeças, continuam a mobilizar-se, já que o sindicato e as empresas ainda não chegaram a um acordo. Nesta segunda-feira (14), o sindicato do ABC tem rodada de negociação com o Sindipeças (que representa as empresas de autopeças). Na quinta-feira (17), às 18h, será feita nova assembleia para avaliar a proposta das empresas. Existe a possibilidade de a categoria decretar greve por tempo indeterminado, caso as reivindicações não forem atendidas.

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