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Grife Abercrombie é punida por demitir jovem que usa véu

É a segunda denúncia de discriminação envolvendo marca que admitiu usar vendedores bonitos e fortões como estratégia de marketing

Economia & Negócios,

11 de setembro de 2013 | 11h27

SÃO PAULO - Uma nova acusação de discriminação envolve a grife americana Abercrombie, famosa em várias capitais mundiais por só contratar modelos fortes e bonitos, que trabalham geralmente com o peito descoberto.

Uma jovem muçulmana que trabalhava na rede em uma loja na Califórnia conseguiu uma vitória legal em denúncia de discriminação contra a empresa. Ela disse que foi impedida de trabalhar com o hijab, o tradicional véu usado pelas mulheres muçulmanas, e que isso motivou sua demissão.

A loja em que ela trabalhava citou o código de vestimento dos funcionários da rede que tem sede em Ohio para proibir o uso do véu. Ela alegou que a política interna da gigante varejista é "muito injusta".

Reincidente. Este ano, a Abercrombie já sofreu outra acusação de discriminação na Europa, quando foi acusada de contratar jovens apenas pela boa aparência.

O órgão de defesa dos direitos humanos da França abriu investigação em julho para investigar a denúncia.

Em uma entrevista em 2006, segundo o órgão de direitos humanos da França, Mike Jeffries, presidente da Abercrombie, admitiu que recrutava pessoal atraente por razões de marketing.

Agora, um juiz federal dos Estados Unidos proferiu a sentença a favor da jovem muçulmana Hani Khan, de 18 anos. Ela foi demitida da loja onde trabalhava em San Mateo, na Califórnia, em 2010, porque recusou-se a retirar o lenço de cabeça no trabalho.

A jovem alega que foi abordada pela sua chefe depois de quatro meses no cargo."Ela expressou preocupação sobre o meu hijab", disse Khan à rede amerana ABC News. "Foi quando eu senti que não era apropriado o que eles estavam dizendo".

Demissão. Depois de se recusar a retirar o hijab, ela foi encaminhada ao Departamento de Pessoal e demitida. A empresa ofereceu-lhe o emprego de volta 11 dias depois, desde que abandonasse o hijab nas dependênmcias da firma, mas ela recusou a oferta, de acordo com documentos judiciais.

A política visual da Abercrombie inclui um treinamento onde os trabalhadores são orientados até sobre como devem pentear-se, dizem os documentos do processo judicial.

No tribunal, a varejista de roupas argumentou que o hijab, usado por mulheres muçulmanas como um sinal de modéstia, afetaria negativamente as vendas.

Mas, a sentença do juiz deteminou que "a Abercrombie não ofereceu nenhuma evidência desses quatro meses mostrando um declínio nas vendas".

Discriminação. A Comissão de Igualdade de Direitos de Trabalho dos EUA entrou com uma ação judicial em nome de Khan em 2011. O resultado sobre a responsabilidade e punições deve sair até o fim deste mês.

"A Abercrombie não discrimina ninguém por causa da religião e nós fazemos concessões por motivos religiosos quando é razoável", disse um representante da empresa à rede ABC News, por meio de um comunicado em que comenta a decisão judicial.

Não é a primeira vez que a empresa ganha espaço no noticiário por questões relacionadas com a imagem que exige dos trabalhadores.

Uma denúncia anterior provocou uma onda de reclamações e rendeu muita polêmica na internet contra a empresa, acusada de explorar a imagem de jovens fortes e bonitos.

Em 2011, a Abercrombie usou a música "Call Me Maybe" como trilha oficial de uma campanha promocional na qual recruou os mais belos vendedores para cantar e dançar sem camisa. O vídeo já foi visto mais de 20 milhões de vezes no Youtube.

Protestos. Manifestantes se reuniram em frente às lojas no início deste ano depois de CEO Mike Jeffries reapareceu nas redes sociais por causa da declaração de 2006.

Na entrevista, na época, Jeffries disse que a empresa opta por vendedores "de boa aparência" como estratégia de marketing.Depois da repercussão ele manifestou arrependimento pelo comentário.

Uma ação coletiva por recrutamento discriminatório de trabalhadores pode chegar a US$ 50 milhões.

A jovem muçulmana disse esperar que seu processo leve a mudanças na política de recrutamento da Abercrombie."Eu realmente espero que eles revejam essas práticas", disse ela em entrevista à TV americana.

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