Gros aguarda redução do risco país para captar recursos

O presidente da Petrobrás, Francisco Gros, disse nesta segunda-feira que a Petrobrás não irá captar recursos no mercado de capitais até que ocorra uma melhora na redução da taxa de risco do Brasil. "É evidente que atual volatilidade atrapalha todo mundo no Brasil porque isso implica que você tem que postergar qualquer projeto de captação de recursos no mercado", disse Gros, após um seminário com investidores espanhóis na Bolsa de Valores de Madri. "Não temos intenção de acessar o mercado de capitais até que a situação de estabilize".Gros disse que há "um certo exagero" nas atuais taxas de risco do país. "E isso ocorre em grande parte não por razões brasileiras, pois os fundamentos do país hoje são idênticos ao que eram há dois ou três meses, quando a taxa era de 600 pontos", afirmou. "Ela quase triplicou. A troco do quê? Não foi o Brasil que mudou, o que mudou foi a cabeça dos investidores, com uma absoluta falta de confiança na qualidade dos demonstrativos financeiros criada com os eventos Enron, Vivendi, WorldCom, e hoje com a Merck." Segundo ele, esses escândalos contáveis assustam o investidor e introduzem nele um grau muito maior de aversão ao risco.O presidente da Petrobrás disse que num ambiente de aversão ao risco, os investidores tendem abandonar os ativos de maior liquidez, como do Brasil. "Não dá para você sair dos ativos da Colômbia ou Peru, então você sai do Brasil", disse. "O ativo latino-americano mais líquido é o C Bond e a Petrobrás também tem um das ações mais líquidas da América Latina. Então o Brasil sempre estará, por seu tamanho, por sua maior presença no mercado, sendo afetado pelas crises de medo entre os investidores."Preços dos Combustíveis Gros também comentou a política da Petrobrás para os reajustes de preços dos combustíveis. "Nos realizamos um período de experiência de noventa dias, com a introdução de prazos mínimos de reajuste, mas não parece que essa política tenha ajudado muito", afirmou. "Então, voltamos à política anterior que é de ajustar os preços sempre que for necessário de modo a alinhar os preços dos produtos no mercado brasileiro aos preços dos principais mercados que fornecem produtos ao Brasil", disse. Segundo ele, o preço do petróleo neste ano tem se mostrado muito estável, flutuando numa faixa entre US$ 24 a US$ 26. " Os preços vêm demostrando um grau de estabilidade muito firme, mas é muito difícil se prever o que vai acontecer no futuro" .O presidente da Petrobrás disse que a decisão da estatal de reduzir os investimentos na geração térmica não deverá comprometer a estratégia de fortalecimento dessa modalidade energética do país. "O que houve é que no primeiro momento havia ocorrido uma aceleração muito grande do nosso programa de investimento interno em função da crise energética", disse. "Mas com o fim da crise de abastecimento de energia nós decidimos reduzir um pouco o ritmo de investimentos e aguardar uma maturação dos investimentos que já realizamos e que não são negligenciáveis, temos hoje quase 4 mil MW de potência, o que nos transforma na quarta maior geradora de energia do país". Segundo ele, a Petrobrás vai esperar até que sejam publicadas pelo governo as regulamentações sobre o uso de energia termoelétrica no país." Por enquanto, a nossa capacidade está de bom tamanho". Ele ressaltou que está certo que "lições de 2001 foram absorvidas pelo governo e que todas medidas necessárias serão tomadas para encorajar o fluxo permamente de investimentos no setor energético". Estréia no Latibex As ações ordinárias da Petrobrás começarão a ser negociadas amanhã no Latibex, o mercado acionário em euros para empresas latino-americanas da Bolsa de Valores de Madri. "Vejo a nossa entrada no Latibex de forma muito positiva, pois é uma iniciativa para dar maior transparência das ações da empresa no mercado europeu, criando um maior interesse pelas ações da Petrobrás na Europa, que ainda é incipiente", afirmou. " A lógica de lançar as nossas ações em Madri se insere dentro da lógica de uma companhia global que quer acessar mercados onde eles estiverem."

Agencia Estado,

08 de julho de 2002 | 17h56

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