Gros nega que deixará a Petrobras após as eleições

O presidente da Petrobras, Francisco Gros admitiu, em entrevista ao jornal canadense The Globe and Mail, que poderá deixar o cargo após as eleições. De acordo com a matéria, publicada nesta quarta-feira sob o título ?Comando da Petrobras preocupado com eleições brasileiras?, a saída de Gros poderia ocorrer já neste domingo, em caso de vitória do ?candidato de esquerda?, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em primeiro turno. O presidente da Petrobras negou as declarações, por meio da assessoria. Ele reafirmou o compromisso de permanecer no cargo até o fim do mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso.De acordo com a matéria do jornal canadense, Gros afirmou que não tem muita esperança em uma extensão do mandato, que já dura nove meses. No mercado e na Petrobras voltaram a circular boatos sobre uma saída antecipada de Gros, que vem demonstrando descontentamento com a interferência do governo na política de preços da empresa e já teria comunicado ao presidente Fernando Henrique o desejo de sair.O Ministério de Minas e Energia (MME) informou desconhecer sinalização do presidente da Petrobras sobre sair do cargo antes do fim do governo.O ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, presidente do Conselho de Administração da companhia, informou, através da assessoria, que o presidente da Petrobras lhe disse, por telefone, que teria sido mal interpretado pelo jornalista canadense.Na entrevista ao The Globe and Mail, Gros alerta para a possibilidade de um controle do próximo governo nas políticas da empresa, que poderia forçar uma redução do preço da gasolina para agradar consumidores ou investir dinheiro em projetos de apelo popular que façam a empresa perder dinheiro.Desde o primeiro reajuste da gasolina este ano, em fevereiro, Gros vem enfrentando a resistência do governo e dos candidatos à presidência para liberar os preços dos combustíveis, pautada pelo acompanhamento das cotações dos preços internacionais dos produtos.O presidenciável do PSDB, José Serra, tem criticado a política de preços da Petrobras. Além disso, a empresa envolveu-se em uma discussão pública com Lula sobre a construção no exterior de plataformas para exploração e produção de petróleo.No primeiro reajuste da gasolina no ano, no dia 15 de fevereiro, a Petrobras foi desautorizada pelo presidente e voltou atrás. Doze dias depois, conseguiu aumentar o preço do combustível. Desde então, não faltam críticas à política de reajustar os preços seguindo a cotação do dólar, que subiu 58% desde o início do ano. O último reajuste na gasolina foi promovido em julho e já há uma defasagem de 30% entre o preço cobrado pela estatal e a cotação internacional do produto, segundo o Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE). Pelos cálculos da entidade, a Petrobras deixa de ganhar US$ 73 milhões por mês, ao segurar os preços do combustível.No caso do diesel, cujo último reajuste também foi promovido no início de julho, a defasagem é de 51%, o que provoca uma redução na receita de US$ 228,3 milhões por mês. Além disso, por importar cerca de 20% do consumo nacional de diesel, a empresa tem um prejuízo mensal de US$ 45,6 milhões ao comprar o produto pelo preço internacional e vendê-lo abaixo do preço de custo no mercado interno.

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