Gros reafirma interesse da Petrobrás na Argentina

O presidente da Petrobrás, Francisco Gros, reafirmou nesta quarta-feira a intenção da companhia em aumentar sua participação na Argentina. Segundo ele, com a aquisição da Devon, a Petrobrás deve dobrar sua capacidade de produção no país, atualmente de 30 mil barris por dia. A empresa já atua há dez anos na Argentina. A declaração de Gros foi feita durante palestra no Seminário Petróleo e Gás, realizado na manhã de hoje na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).Gros afirmou que a compra da companhia argentina Devon está em fase final de negociação, mas não confirmou valores. "Estamos concluindo os negócios. O mercado fala em algo em torno de US$ 200 milhões, mas nossos valores são confidenciais". Ele disse que o mercado argentino é "estratégico". "Achamos que a crise argentina vai passar e qualquer empresa brasileira que queira crescer no exterior deve investir na Argentina". Segundo Gros, a estatal realizou investimentos de US$ 1 bilhão na Argentina entre 1991 e 2001, com a troca de ativos da Repsol. Para este ano, estão previstos mais US$ 43 milhões e outros US$ 145 milhões até 2005. "Esses são investimentos nos ativos que a Petrobrás já tem na Argentina, mas estamos abertos para quaisquer propostas de ativos que apresentem boa qualidade e preços adequados", afirmou. ExpansãoAinda sobre a expansão dos negócios da Petrobrás no mercado internacional, Gros disse que além da Argentina, há os Estados Unidos, o oeste da África e outros países da América Latina, principalmente Bolívia e Colômbia. Nos Estados Unidos, o interesse da Petrobrás está na exploração e produção de petróleo no Golfo do México. A empresa quer adquirir uma refinaria em solo americano para processar o petróleo que venha ser encontrado em algum dos pontos do Golfo. Hoje, a Petrobrás atua em 91 blocos no Golfo do México, dos quais 72 em águas profundas. Segundo Gros, a companhia tem o firme propósito de comprar uma unidade de refino no exterior, principalmente por conta do volume de óleo pesado exportado de Marlim. "A expansão de nossas operações para o exterior está centralizada na necessidade de reduzir custo de capital e gerar fluxo de caixa em moeda forte, porque o custo de capital no Brasil é mais alto do que das concorrentes em níveis internacionais", afirmou. No Oeste da África, principalmente Nigéria e Angola, Gros acredita que o Brasil tem condições competitivas maiores. "A composição geológica dos campos de exploração naquelas regiões são bastante semelhantes às nossas", disse.

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