Groupon cai 5% e fecha com menor cotação da história

Analista prevê que desaceleração das vendas terá um impacto forte sobre o caixa da companhia

SAN FRANCISCO, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 03h09

As ações da companhia de compras coletivas Groupon atingiram ontem uma baixa histórica, depois de um analista se mostrar preocupado com o efeito da desaceleração do crescimento da empresa sobre sua forte posição de caixa. O declínio se soma a uma série de baixas nas últimas semanas que envolveram não apenas o Groupon, mas várias companhias de consumo na internet e ligadas a redes sociais, como Facebook e Zynga.

Ontem, a desvalorização da ação do Groupon aconteceu depois de o analista Ken Sena, da Evercore Partners, reduzir recomendação sobre os papéis da companhia, definindo um preço alvo de US$ 3. As ações da empresa fecharam cotadas a US$ 4,75 na bolsa eletrônica Nasdaq, com queda de 5%.

A receita do Groupon no segundo trimestre não cumpriu expectativas de Wall Street. Ao mesmo tempo, o faturamento bruto, que reflete o dinheiro que a empresa recolhe de consumidores que compram seus cupons de desconto, caiu durante o período. "Vemos potencial para futura queima de caixa, assumindo que a queda do faturamento persista", disse Sena, em relatório a investidores.

O Groupon tem mais de US$ 1 bilhão em caixa e a companhia gera grande volume de capital de giro por causa do dinheiro que recolhe dos clientes que compram seus vouchers e do tempo de pelo menos 30 dias que leva para pagar aos fornecedores dos serviços oferecidos.

Entretanto, se o crescimento do Groupon desacelera, a empresa pode obter menos dinheiro antecipadamente, enquanto ainda precisa continuar pagando os fornecedores dos serviços vendidos anteriormente, disse Sena.

Uma queda anual de 5% no faturamento bruto pode tornar a vantagem de capital de giro contra a empresa, sugerindo uma "queima de caixa", disse o analista. "A companhia pode se deparar com a situação onde terá de pagar fornecedores em uma escala maior de negócios em relação ao dinheiro que é capaz de recolher dos atuais consumidores", escreveu Sena. O Groupon não comentou o assunto.

Comparação. O Groupon vale hoje menos que o MercadoLivre, empresa latino-americana de comércio eletrônico que tem no Brasil o seu maior mercado. Criada em 1999 como uma companhia de leilões, pelo argentino Marcos Galperin, o MercadoLivre tem seus papéis negociados na bolsa eletrônica Nasdaq.

O MercadoLivre fechou ontem cotado a US$ 85,21, registrando uma queda de 1,89%. Seu valor de mercado era de US$ 3,76 bilhões, comparado a US$ 3,09 bilhões do Groupon. / REUTERS

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