Grupo alemão Lanxess assume o controle da Petroflex

Empresa, que custou R$ 526 milhões, era controlada por Petrobrás, Unipar e Braskem

Agnaldo Brito, O Estadao de S.Paulo

14 de dezembro de 2007 | 00h00

A alemã Lanxess oficializou ontem a compra da Petroflex, maior produtora de borracha sintética da América Latina, que era controlada pela Petrobrás, Unipar e Braskem. O grupo alemão pagou R$ 526,6 milhões por 69,68% do capital total da Petroflex.O negócio faz parte da grande reformulação do setor petroquímico brasileiro anunciada recentemente, com a criação de dois grandes grupos no País - sendo um deles uma parceria entre Petrobrás e Braskem e o outro, uma parceria entre a estatal e a Unipar. O presidente da Lanxess, Marcelo Lacerda, disse ontem que o valor final do negócio irá superar os R$ 700 milhões. A empresa, juntamente com o anúncio da aquisição, apresentou uma proposta de recompra das ações preferenciais (PN, sem direito a voto) e ordinárias (ON, com direito a voto) de emissão da Petroflex que circulam no mercado. O objetivo é que até o final do segundo trimestre de 2008 a operação esteja liquidada. A idéia da Lanxess é fechar o capital da Petroflex na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).Pela proposta do novo controlador, a oferta pelas ações ON e PN será de R$ 18,29. O preço significava, na cotação de ontem da Petroflex, um deságio de 32% sobre o valor das ações ordinárias e um prêmio de 8,5% para os papéis preferenciais. "Não acredito que haverá problema para a aceitação dos minoritários", disse o executivo.Se conseguir cumprir esse plano, a Lanxess terá conseguido adquirir a Petroflex por um múltiplo relativamente baixo em relação às demais operações feitas nos últimos tempos no setor petroquímico brasileiro. O valor da companhia, somado à sua dívida, será de 6,5 vezes a geração de caixa.A compra da Suzano Petroquímica pela Petrobrás - negócio que deflagrou a reorganização da petroquímica da região Sudeste do País, com a criação de uma nova companhia liderada pela Unipar - foi fechada com um múltiplo de 11,3 vezes.Ao assumir a única produtora de elastômero do País, a Lanxess - que já fabrica esse produto em outros países - ganha força no segmento. Lacerda não soube dizer o impacto no mercado local depois dessa aquisição. "Ainda estamos calculando os números relativos a participação de mercado", disse.De qualquer forma, a compra da Petroflex dá à Lanxess uma nova dimensão no mercado interno. A operação da empresa no Brasil fatura atualmente 160 milhões. Com a Petroflex, a empresa agregará uma receita de 500 milhões. "Vamos quadruplicar de tamanho no Brasil", disse Lacerda.A Lanxess, antiga filial química do grupo Bayer, é uma empresa de especialidades químicas. No Brasil, a companhia tem como principal negócio a produção de óxido de ferro, conhecido como pó xadrez, pigmento utilizado em revestimentos na construção civil.FORTALECIMENTOEm comunicado divulgado na Alemanha, o presidente mundial da Lanxess, Axel Heitmann, disse que, com a aquisição da Petroflex, a empresa completa de forma ideal "a oferta de produtos e se fortalece em um dos mercados que mais crescem no mundo". Segundo ele, as vendas de borracha na América Latina registrarão altas taxas de crescimento nos próximos anos, já que os grandes fabricantes de pneus vão investir mais de US$ 1 bilhão para ampliar a capacidade de produção na região. A empresa alemã disse que o Brasil é o segundo país mais importante nas Américas em faturamento para a companhia, depois dos Estados Unidos.A Petroflex, que deve produzir mais de 400 mil toneladas de borracha este ano, possui três fábricas no Brasil e exporta para 70 países do mundo. COM EFE

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