Grupo asiático compra 15% de brasileira CBMM por US$ 1,8 bi

Companhia mineira produz e processa nióbio; demanda chinesa por matérias-primas motivou negócio

Reuters,

03 de março de 2011 | 08h33

Nippon Steel, JFE, Posco e outras companhias se aliaram para comprar uma participação de 15% na produtora mineira de nióbio Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração por cerca de US$ 1,8 bilhão, em resposta à busca frenética da China por matérias-primas ao redor do globo.

A China, que precisa alimentar sua aquecida economia, tem vasculhado o mundo em busca de ativos de petróleo e gás, commodities e outras matérias-primas, incluindo o metal raro nióbio, alvo da operação do consórcio asiático.

"Por trás do negócio está a crescente demanda por nióbio na China e a agressiva estratégia do país para assegurar oferta no exterior porque sua produção doméstica é muito limitada", disse Kaz Machida, presidente da Kay International, uma consultoria especializada em metais raros.

A CBMM produz e processa nióbio, metal raro usado na fabricação de aços para automóveis, indústria aeroespacial e tubulações que torna o aço mais leve e forte.

A companhia brasileira, do grupo Moreira Salles, controla 82% do mercado mundial de nióbio, com mais de 800 milhões de toneladas de reservas, segundo a Posco. A empresa tem depósitos localizados próximos da cidade de Araxá (MG).

A Posco, terceira maior produtora de aço da Ásia, e o Serviço Nacional de Pensão da Coreia do Sul vão investir US$ 650 milhões para comprar uma fatia de 5% na CBMM. Um porta-voz da siderúrgica informou que o investimento será dividido por igual pelos grupos.

A Posco também informou que investidores japoneses, incluindo Nippon Steel, JFE Holdings, a tradingSojitz e a Japan Oil Gas and Metals National Corp vão comprar participação de 10%, mas um acordo ainda não foi assinado.

Com a operação, o valor da CBMM é avaliado em cerca de US$ 12 bilhões.

O Brasil é o maior produtor de nióbio do mundo. O país produziu 80 mil toneladas das 83 mil toneladas produzidas no mundo em 2010. A relação tem sido similar na última década.

Nióbio é um de 31 metais raros e é usado para adicionar força para chapas e tubulações de aço.

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