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Grupo Bertin quer devolver 3 usinas ao governo

Empresa que surpreendeu mercado ao comprar dezenas de concessões de energia ficou sem fôlego financeiro e agora se desfaz de ativos

Renée Pereira, de o Estado de S.Paulo,

27 de abril de 2012 | 22h45

SÃO PAULO - Após perder a concessão da termelétrica José de Alencar, de 300 MW, no mês passado, o Grupo Bertin entrou com pedido de devolução de três usinas movidas a óleo combustível e gás natural na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A decisão faz parte de um processo de redução da carteira de investimentos da holding, com venda de ativos e entrada de novos sócios.

A companhia, que surpreendeu ao arrematar dezenas de usinas nos leilões do governo federal e vencer a concessão da Hidrelétrica de Belo Monte ao lado de outros parceiros, não tem tido fôlego financeiro para arcar com todos os compromissos e, aos poucos, está se desfazendo dos negócios. Em alguns casos de forma forçada, como a perda da usina José de Alencar em março, em que terá de pagar uma multa.

Desta vez, o pedido de devolução de concessão envolve três unidades arrematadas no leilão de 2008: Macaíba, Cacimbaes e Escolha. Juntas elas têm potência instalada de 864 MW e deveriam entrar em operação em janeiro de 2013. Na carta enviada à Aneel no dia 4 de abril, o Bertin solicita a devolução das unidades de forma amigável. Ou seja, sem multa para a companhia.

O diretor da agência, Nelson Hubner, deverá sortear um relator para avaliar o pedido e elaborar um relatório sobre o assunto. O documento será encaminhado ao Ministério de Minas e Energia, que decidirá se aceita uma devolução amigável ou se vai aplicar alguma multa à empresa. Segundo um executivo do setor, o grupo tem se aproveitado do atual momento do sistema elétrico, com sobra de energia, para se livrar das usinas sem ônus.

Hoje, diz ele, muitas distribuidoras estão com contratos de energia acima da demanda. Por outro lado, o Bertin precisa entregar energia e não tem. "Mas se a oferta estivesse mais estreita, o País poderia ter problema de abastecimento", diz o executivo. Para ele, aceitar a devolução e não punir a empresa poderá criar precedentes.

FGTS. Apesar de ter se desfeito de algumas usinas, o grupo ainda mantém volume considerável de projetos em mãos. Só no Nordeste, são 18 unidades. Algumas já deveriam estar em operação desde o ano passado. Outras estão previstas para 2013. Mas até agora as usinas continuam do papel, apesar de aporte de recursos do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia (FI-FGTS).

Depois da crise de 2008, que secou o mercado de crédito no mundo inteiro, o Bertin teve dificuldade para apresentar garantias das térmicas arrematadas. Apesar disso, o FI-FGTS autorizou um aporte de R$ 280 milhões para a Nova Cibe, subsidiária do grupo. Até o último balanço da Caixa, que administra o fundo, a participação já havia representado perdas de R$ 123,4 milhões. Para a Caixa, trata-se de uma redução contábil (de revisão dos valores de investimentos) e não vai significar perdas para o trabalhador.

O Bertin era um dos mais importantes grupos frigoríficos do País até entrar em dificuldades anos atrás. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deu apoio financeiro para o rival JBS a absorver o Bertin. Em seguida, o BNDES apoiou o JBS na compra da americana Pilgrim’s. Desde então, o Bertin tornou-se um grupo com interesse em várias áreas, como energia e rodovias. Ele ganhou a concessão dos trechos sul e leste do Rodoanel - um dos projetos mais estratégicos de São Paulo.

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