Grupo Bertin tem pendências com a Aneel

Com 13,77% por meio da Gaia Energia e da Contern, grupo tem dívidas de outros leilões

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 00h00

O maior acionista privado do consórcio que venceu o leilão de Belo Monte, no Pará, tem algumas pendências com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) referentes a leilões passados. Trata-se do Grupo Bertin, tradicional no setor frigorífico, que abocanhou 13,77% da terceira maior usina do mundo.

O grupo entrou no consórcio por meio de participações das empresas Gaia Energia (10,02%) e Contern (3,75%). Mas, segundo informações, o Bertin também teria acordos comerciais com outro integrante do consórcio, a Cetenco (5%), que participou da construção de Itaipu, no passado.

Há cerca de dois anos, o Bertin participou, em consórcio, de dois leilões de usinas termoelétricas, mas não conseguiu fazer o depósito das garantias no prazo estabelecido pela Aneel, nos valores de R$ 370 milhões e R$ 196 milhões. O consórcio pediu a prorrogação dos prazos, alegando que a crise financeira que assolou o mundo em 2008 e 2009 prejudicou as negociações com os bancos.

Na época, a agência disse que os argumentos apresentados pelas empresas eram insuficientes para atender o pleito. Por causa disso, o órgão executou as garantias, em valor superior a R$ 20 milhões. Mas, segundo fontes do setor, o grupo não aceita pagar esse montante e teria acionado advogados para contestar a decisão. O resultado de tudo isso foi o atraso na construção das usinas, o que pode provocar novas punições por parte da Aneel.

Além do Bertin, as demais empresas privadas que integram o consórcio vencedor de Belo Monte têm pouca tecnologia para acrescentar na construção de uma usina dessa magnitude, afirma um especialista do setor de construção civil. Segundo ele, algumas empresas são bem capitalizadas, mas há anos não constroem uma hidrelétrica. A Mendes Junior, por exemplo, é outra completamente diferente daquela que construiu Itaipu.

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