Grupo bipartidário dos EUA quer US$ 4 tri em redução de déficit em 10 anos

Caso acordo seja fechado, democratas poderiam apoiar cortes em programas sociais, enquanto republicanos aceitariam a elevação de impostos

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

27 de outubro de 2011 | 19h06

Um grupo bipartidário de aproximadamente cem deputados norte-americanos quer que a supercomissão que negocia um plano de redução do déficit do governo federal consiga o que a Casa Branca e o Congresso não conseguiram no meio do ano: uma redução de ordem de US$ 4 trilhões no déficit do governo dos Estados Unidos no decorrer dos próximos dez anos.

Numa carta que os deputados pretendem enviar na próxima semana - um rascunho vem sendo trabalhado já há semanas -, o grupo bipartidário argumentará que um acordo maior é crucial para o futuro dos EUA. Economistas têm calculado que, para alcançar um nível fiscal saudável, os EUA precisariam de uma redução de déficit de aproximadamente US$ 4 trilhões no decorrer de uma década.

Na carta, os deputados pedem que os 12 congressistas que integram a Comissão Conjunta de Redução do Déficit "levem em consideração todas as opções disponíveis", envolvam elas gastos ou receitas. No vocabulário político de Washington, isto significa que os democratas que assinarem a carta apoiarão cortes em programas sociais e que os republicanos signatários aceitarão elevação de impostos, caso isso envolva um acordo abrangente.

"Nós sabemos que muita gente em Washington e em todo o país não acredita que nós no Congresso e aqueles que integram a comissão terão sucesso diante deste desafio", diz o rascunho da carta. "Nós acreditamos que podemos e devemos" alcançar um acordo mais ambicioso.

O texto, organizado pelo deputado Heath Shuler (democrata pela Carolina do Norte), deriva de discussões informais de grupo lideradas pelos deputados Mike Simpson (republicano por Idaho) e Steny Hoyer (democrata por Maryland). Assessores dos deputados envolvidos calculam que a carta já conta com o apoio de 50 democratas e de 45 republicanos.

Entre os signatários republicanos está o deputado Steve LaTourette (Ohio), aliado do presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, John Boehner (republicano por Ohio). A presença de LaTourette pode indicar que um número grande de deputados republicanos poderia passar a apoiar uma solução mais abrangente para o déficit norte-americano.

"Acho que é essa a hora de um grande acordo", declarou LaTourette, ciente de que a inclusão de aumento da arrecadação no acordo pode assustar republicanos envolvidos nas primárias e preocupados com o Tea Party, uma linha ultraconservadora contrária, entre outras coisas, a novos impostos.

A supercomissão bipartidária encarregada de chegar a um plano de consenso tem 12 integrantes, sendo 6 democratas e 6 republicanos. O Congresso tem até 23 de novembro para aprovar o plano da supercomissão.

De acordo com assessores parlamentares, os republicanos que integram a supercomissão defendem uma redução de US$ 2,2 trilhões ao longo dos próximos dez anos. O plano prevê cortes significativos, de aproximadamente US$ 685 bilhões, em programas sociais e de saúde pública que atualmente beneficiam as populações mais pobres e mais idosas dos Estados Unidos, além de alterações tributárias para estimular a economia do país, prosseguiram as fontes.

Já os democratas têm plano de reduzir o déficit em US$ 3 trilhões no decorrer dos próximos 10 anos, o que inclui um corte de US$ 500 bilhões no orçamento dos programas de saúde pública Medicare e Medicaid e aumento de US$ 1,3 trilhão na arrecadação de impostos. As informações são da Dow Jones. 

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