Grupo chinês paga US$ 3 bilhões por fatia em campo de petróleo no Brasil

A estatal chinesa Sinochem será a primeira companhia do país asiático a produzir petróleo no Brasil. A empresa anunciou ontem acordo com a norueguesa Statoil para compra de 40% do campo de Peregrino, na Bacia de Campos, por US$ 3,07 bilhões. Peregrino tem reservas estimadas em 500 milhões de barris e início de operações previsto para o começo de 2011, com capacidade para produzir 100 mil barris por dia.

Nicola Pamplona / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2010 | 00h00

Com a operação, a Sinochem segue o caminho de outras empresas chinesas que decidiram apostar no Brasil. Na semana passada, a estatal State Grid anunciou a compra, por US$ 1,726 bilhão, de sete concessionárias de transmissão de energia pertencentes às espanholas Cobra, Elecnor e Isolux. Há um mês, o consórcio chinês ECE - Birô de Exploração e Desenvolvimento Mineral do Leste da China informou que estava adquirindo a mineradora Itaminas por US$ 1,2 bilhão.

Além disso, a Wuhan Iron and Steel Corp (Wisco), anunciou em abril a compra de fatia na mineradora MMX, de Eike Batista, por US$ 400 milhões. A empresa projeta a construção de uma siderúrgica de US$ 4,7 bilhões no porto do Açu, no Rio, também controlado pelo grupo de Batista.

No setor de petróleo, a chinesa Sinopec já tem um acordo com a Petrobrás para exploração de petróleo em dois blocos na Bacia do Pará-Maranhão e avaliação de oportunidades conjuntas em refino e petroquímica. As petroleiras chinesas têm tido grande atuação no mercado internacional em busca de garantia de suprimento futuro - a própria Petrobrás se comprometeu em 2009 com exportações de óleo para aquele País em troca de financiamento.

Ativos. Nesse sentido, a Sinochem gastou desde 2003 US$ 1,8 bilhão em aquisições de ativos petrolíferos ao redor do mundo e tem hoje presença na África, América Latina e Oriente Médio. O acordo assinado com a Statoil prevê a avaliação conjunta de novas oportunidades no Brasil e em outros países, informou a companhia norueguesa em comunicado distribuído ontem.

"Estamos muito satisfeitos com o negócio e com a expectativa de trabalhar em parceria com a Sinochem no desenvolvimento adicional e nas operações do enorme campo de Peregrino", afirmou, na nota, o presidente mundial da Statoil, Helge Lund. Segundo ele, as duas companhias têm planos de ampliar a produtividade do campo, com a aplicação de técnicas de recuperação de petróleo.

Peregrino foi descoberto em 1994 pela Petrobrás, mas devolvido à União com o fim do monopólio estatal. Em 2000, foi adquirido por um consórcio formado pela americana Kerr McGee e pela canadense EnCana, em leilão da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A entrada da Statoil se deu em 2006, com a compra da também norueguesa Norsk Hydro, então sócia do projeto, com uma fatia de 50%. Em 2008, a companhia comprou os 50% restantes.

Segundo o plano de desenvolvimento da área aprovado pela ANP, a primeira fase de produção de Peregrino terá duas plataformas fixas e um navio-plataforma com capacidade para 100 mil barris por dia. No comunicado, a Statoil afirmou que a venda de participação no campo faz parte de um processo de otimização de seu portfólio, mas que mantém interesse em desenvolver projetos no Brasil. "O Brasil continuará sendo uma peça chave na estratégia internacional da Statoil", diz o texto.

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