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Grupo de Cairns condena política agrícola dos EUA

O governo brasileiro obteve hoje a adesão dos países que integram o chamado Grupo de Cairns - os maiores exportadores agrícolas mundiais - contra o aumento de subsídios concedidos pelos Estados Unidos, por meio da nova lei agrícola americana, a Farm Bill. Segundo o ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, hoje, deverá ser emitido um comunicado pelo Grupo, em Roma, condenando a política agrícola americana. O documento também fará um alerta sobre impacto que o aumento de 80% nas subvenções, por meio da nova Farm Bill, terá sobre os países mais pobres. Em entrevista por telefone à Agência Estado, de Roma, onde participa da Cúpula Mundial da Alimentação, promovida pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Pratini disse que há praticamente consenso entre os integrantes do Grupo de Cairns de que a política agrícola americana também poderá comprometer a continuidade das negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) para obter maior liberalização no comércio mundial. "A manifestação do Grupo de Cairns é muito importante, porque reflete uma posição firme frente às políticas agrícolas sustentadas em altas subvenções", afirmou. Os representantes da maior parte dos 18 países agrícolas que formam o Grupo de Cairns (Brasil, Argentina, Canadá, Austrália, Venezuela, Colômbia, África do Sul, entre outros) aproveitaram a reunião de Cúpula da FAO, que começou ontem, para fazer um encontro paralelo e discutir seus interesses tendo em vista o aumento dos subsídios agrícolas por parte dos EUA e o seu reflexo no andamento das negociações da OMC. OportunidadePratini informou que o Grupo também aproveitará a oportunidade para discutir esses temas diretamente com a secretária de Agricultura dos EUA, Ann Venemam, que também se encontra em Roma para participar do encontro das Nações Unidas. Segundo o ministro, os países agrícolas querem uma ação mais efetiva da FAO em relação à política agrícola dos países ricos, especialmente contra os programas internos de apoio à produção e à exportação. Esses programas, salientou, distorcem os preços do comércio agrícola mundial e impedem o acesso a mercados pelas nações pobres ou em desenvolvimento. "A política dos países ricos é contraditória e anula os efeitos dos programas mundiais de combate à fome da própria FAO. Os ricos têm um discurso contra a fome mas, de outro lado, praticam políticas agrícolas e econômicas que dizem exatamente o contrário", observou. ManteigaO ministro citou como exemplo, o caso de alguns países africanos, que produzem manteiga. Esses países, segundo ele, perdem sua capacidade de competir mesmo internamente, porque a manteiga e outros produtos lácteos importados da União Européia, com 50% de subsídios, são muito mais baratos. "Essa concorrência aniquila os esforços de países pobres como os da África, de se inserir no comércio e reduzir seu nível de pobreza", advertiu. A Cúpula Mundial sobre Alimentação acontece cinco anos depois que 186 países, reunidos em Roma, declararam que a fome, no mundo moderno, era inaceitável. E se comprometeram a reduzir à metade o número de famintos no mundo até 2015. Dados da FAO indicam que o número de pessoas com fome no mundo que era de 840 milhões em 1996, foi reduzido um pouco, caindo para 815 milhões, atualmente. TrigoPratini também informou que o secretário de Agricultura da Argentina, Rafael Del Dechi, prometeu se empenhar para que as exportações de trigo de seus país para o Brasil sejam normalizadas. As empresas brasileiras que estão importando trigo da Argentina estão sendo prejudicadas porque os exportadores estão segurando os embarques, apostando em uma desvalorização maior do peso em relação ao dólar. A promessa de Del Dechi a Pratini foi feita hoje, em Roma, onde os dois participam da Cúpula Mundial sobre Alimentação, promovida pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). No final do mês passado, quando os importadores brasileiros de trigo pediram na Câmara de Comércio Exterior (Camex) que a Tarifa Externa Comum (TEC) para o trigo comprado de países de fora do Mercosul, que é de 11,5%, fosse suspensa até setembro próximo, para que eles pudessem importar o produto dos Estados Unidos e do Canadá, Pratini foi contra. Na ocasião, o ministro afirmou que a adoção da medida seria um duro golpe para a Argentina em meio a crise econômica que o país vizinho enfrenta. Durante a conversa em Roma, Del Dechi também informou a Pratini que não há confirmação de novos focos de febre aftosa em território argentino. "Por enquanto, se trata apenas de uma suspeita, que os primeiros exames não confirmaram. Mas nós estamos atentos", disse Pratini.

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