Grupo de grevistas do RJ afirma que não interromperá manifestações

De acordo com o líder do movimento em Barra Mansa, Odimar Alvarenga Meirelles, o grupo vai permanecer no local até que haja um posicionamento do governo 

Antônio Pita, O Estado de S. Paulo,

31 de julho de 2012 | 19h47

RIO - Um grupo de caminhoneiros manifestantes recebeu com revolta a proposta do governo de suspender a negociação até que as pistas da rodovia Dutra, que liga o Rio de Janeiro a São Paulo fossem liberadas. Inflamados, os motoristas afirmam que não vão interromper as manifestações. Uma viatura da Polícia Rodoviária Federal acompanha o movimento na região. 

De acordo com o líder do movimento em Barra Mansa, Odimar Alvarenga Meirelles, o grupo vai permanecer no local até que haja um posicionamento do governo. "Estamos esperando resultados. Hoje não temos estrutura para sair em segurança. Eles, os ministros, deveriam vir aqui para ver a nossa realidade. Os caminhoneiros estão morrendo", afirmou o diretor do Sindicato dos Transportadores de Carga do sul fluminense.

Reunidos nas margens da estrada, cerca de 100 caminhoneiros aguardam o resultado das negociações em Brasília e rejeitam a proposta de deixar a rodovia. Os líderes do movimento chegaram a propor que os caminhões com cargas perecíveis deixassem a manifestação, o que foi descartado pelos grevistas. "A gente pode morrer de fome aqui, mas não vamos sair", gritou um dos caminhoneiros presentes na assembleia.

O movimento está localizado na altura do quilometro 273, em Barra Mansa, um dos principais pontos do bloqueio na rodovia. Segundo a concessionária que administra a estrada, são cerca de 20 km de filas de caminhões estacionados nos acostamentos e faixas da rodovia. Os manifestantes lutam contra a nova Lei Federal que regulamenta a profissão. Pela nova lei, os caminhoneiros devem descansar a cada 4h no volante e, após 8h de trabalho, devem parar por pelo menos 11 horas. "A proposta não nos oferece segurança. Quem trabalhar as oito horas não vai ter onde parar para descansar. Não pode ser no acostamento nem no posto de gasolina", afirmou Odimar Meirelles.

Para ele, se o governo se mantiver irredutível poderá haver desabastecimento. "Acho que vai chegar um momento em que vai faltar comida na casa das pessoas. Mas essa é uma realidade do nosso dia a dia."

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