Grupo defende ''reforma simplificada''

Para desencalhar a reforma tributária, empresários, políticos e membros do governo federal sugerem escolha de itens mais importantes

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2011 | 00h00

ENVIADA ESPECIAL / COMANDATUBA

A dificuldade para tirar a reforma tributária do papel criou um novo movimento entre empresários, políticos e integrantes do governo federal. A proposta é fazer uma reforma tributária simplificada. Ou seja, eleger alguns itens importantes e trabalhar em cima deles. Assim, o governo teria mais chances de melhorar o sistema tributário nacional em menos tempo.

A ideia foi defendida ontem por várias personalidades do cenário político e econômico, durante evento realizado em Comandatuba, na Bahia. Entre eles, o vice-presidente da República, Michel Temer, que afirmou ter muita simpatia pela proposta. Na avaliação dele, o Brasil está amadurecido para concluir uma reforma tributária (e também política) ainda nesta legislatura.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), também se mostrou entusiasta da alternativa. "A simplificação é um bom caminho. Poderíamos começar pela folha de pagamento, em que o Brasil é vice-campeão do mundo, atrás apenas da Dinamarca." Segundo ele, o País precisa desonerar impostos incidentes no holerite do trabalhador para estimular novos empregos. "Hoje a folha está emperiquitada com uma série de impostos."

Entre os empresários e executivos do setor produtivo, a simplificação é o único caminho. Para o diretor executivo da Telefonica, Vladimir Barbieri, o tema é extremamente complexo por vários aspectos, seja do ponto de vista histórico ou por causa da estrutura complicada dos impostos. "Se a gente tentar construir um modelo do zero não teremos sucesso. O carro tá andando e temos de trocar o pneu com ele andando. Não dá para parar para trocar o pneu. Então, a única forma é simplificar a reforma."

O presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau, defendeu urgência na reforma. Segundo ele, é preciso atacar logo o problema e simplificar o processo. "O momento exige urgência, o dólar e o cenário mundial mudaram." Durante o evento, ele criticou a guerra fiscal entre Estados e chamou de bandalheira a prática de alguns Estados de reduzirem imposto de importação para atrair demanda. Esse caso, em sua opinião, poderia entrar na lista de prioridades para ser resolvido.

O governador Geraldo Alckmin afirmou que já há uma resolução no Senado tratando do assunto. A proposta, do senador Romero Jucá (PMDB-RR), prevê redução da alíquota de importação para zero nos Estados. "Nós até aceitamos uma alíquota de 4%. Se isso ocorrer, a guerra fiscal entre os Estados acaba."

Ele destaca que essa prática, que vem sendo adotada por alguns Estados, provoca a desindustrialização do País e repassa empregos para o exterior. "Somos totalmente favoráveis a essa proposta. Se depender de nós, será aprovada o mais rápido possível", destacou ele, que acredita numa definição em maio.

Gerdau também espera definição rápida para o problema. Para ele, o governo federal precisa fazer uma limpeza em todas as áreas de sua responsabilidade para dar o exemplo aos Estados. "Pedimos que o governo federal faça a sua parte que depois nós trabalharemos sobre isso."

Simplificação

VLADIMIR BARBIERI

DIRETOR DA TELEFONICA

"Se a gente tentar construir um modelo do zero não teremos sucesso. O carro tá andando e temos de trocar o pneu com ele andando. Então, a única forma é simplificar a reforma."

A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DO FÓRUM EMPRESARIAL DE COMANDATUBA

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