Grupo Despesas Pessoais acelera o IPC, aponta Fipe

A aceleração da inflação na cidade de São Paulo da primeira para a segunda quadrissemana de agosto foi puxada principalmente pela alta maior que a esperada em Despesas Pessoais. Sozinho, o grupo teve a maior contribuição no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do período, de 43,50%, seguido de Alimentação (40,90%).

MARIA REGINA SILVA, Agencia Estado

17 de agosto de 2012 | 13h57

Segundo divulgou nesta sexta-feira a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o IPC ficou em 0,21% na segunda leitura do mês, depois de um aumento de 0,16% na medição anterior. Os grupos Despesas Pessoais e Alimentação subiram 0,76% e 0,37%, respectivamente. Para o primeiro, a expectativa da Fipe era avanço menos intenso, de 0,66%, enquanto para alimentos, de 0,34%.

Vale ressaltar que o grupo Alimentação tem o segundo peso mais elevado dentro do IPC, de 22,92%, depois de Habitação (30,94%). Despesas Pessoais aparecem em quarto lugar, com ponderação de 11,90% no índice. "A alta do IPC na segunda quadrissemana não foi uma grande surpresa (a Fipe esperava uma taxa de 0,19%). As surpresas foram mais pontuais, com destaque para Despesas Pessoais, que mais contribuíram para a inflação do período", disse o coordenador do IPC, Rafael Costa Lima.

De acordo com a Fipe, o avanço no grupo foi impulsionado pelos preços das passagens aéreas na segunda medição do mês, de 7,36%, frente a um aumento de 6,26% na primeira quadrissemana. "Às vezes as altas demoram para refletir no índice", disse, referindo-se ao fato de que em julho, período de maior demanda por conta das férias escolares, os preços ainda cederam 3,91%. As pesquisas semanais, segundo Costa Lima, mostram que as tarifas de avião ainda vão continuar subindo ao longo de agosto. "Tanto que esperamos uma alta mais acentuada de Despesas Pessoais, de 0,91%, na terceira leitura. Depois, no fechamento, o grupo deve diminuir o ritmo de elevação, a 0,70%", estimou.

Alimentação

Já o aumento do grupo Alimentação (0,37%) ficou suavemente acima do esperado pela Fipe (0,34%) na segunda quadrissemana de agosto. Segundo Costa Lima, alguns alimentos com peso "importante" no IPC já refletiram a valorização dos grãos no exterior. "Alimentação veio um pouco acima. Há sinais de que alguns itens alimentícios deverão subir (mais) nas próximas leituras por conta das commodities em alta", avaliou.

A aceleração de Alimentação na segunda medição do mês foi impulsionada pelo alimentos industrializados (de 0,53% para 0,72%), que respondem por quase a metade (45%) de todo o grupo, segundo a Fipe. "O impacto da alta dos grãos está se consolidando em outros itens que ainda não haviam mostrado esse efeito", afirmou, exemplificando que o item Massas, Farinhas e Féculas passaram de 0,48% para 1,11% na segunda quadrissemana.

Costa Lima disse que as próximas leituras do IPC já poderão mostrar reflexos ainda mais acentuados da elevação das commodities agrícolas sobre as carnes. Na segunda quadrissemana, os preços da carne suína reduziram a queda a 0,11%, ante um recuo mais intenso na medição anterior (-1,41%). A carne bovina passou de uma baixa de 1,40% para 1,38%, enquanto o frango subiu ainda mais (de 1,38% para 3,30%).

Ainda no grupo Alimentação, os semielaborados mantiveram a queda, mas reduziram o ritmo, ficando em -0,71% depois de -0,97% na primeira quadrissemana do mês. Já os in natura desaceleraram a alta (de 1,76% para 0,85%) na segunda medição. A maioria dos itens que compõem o subgrupo caiu ou diminuiu a elevação de preço, exceto Legumes que ainda continuam com elevação expressiva (de 18,06% para 14,15%). O tomate continuou na liderança do ranking de pressões das maiores alta (de 37,43% para 26,62%) no período em análise. "Ainda está muito elevado, mas está desacelerando. No pior momento, o preço chegou a subir cerca de 60%, mas na última semana já avançou menos, em torno de 11%", explicou.

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