Grupo do Casaquistão paga R$ 1,1 bi pelo controle de mineradora na Bahia

Mineração. ENRC compra participação de investidores indianos e já soma R$ 1,7 bilhão investidos na Bahia Mineração: perspectiva é de iniciar a operação do projeto Pedra de Ferro, na região de Caetité, no sudoeste da Bahia, no começo de 2013

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2010 | 00h00

O grupo casaque ENRC investiu US$ 670 milhões (R$ 1,15 bilhão) para se tornar o único dono da Bahia Mineração, empresa que capitaneia o projeto de mineração Pedra de Ferro, no sudoeste da Bahia. Além de comprar os 50% de ações pertencentes à Zamin Ferrous, do investidor indiano Pramod Agarwal, a empresa acertou a preferência de compra de outro projeto da Zamin no País, o Greystone, por mais US$ 150 milhões (R$ 255 milhões).

Com o investimento anunciado ontem, o grupo Eurasian Natural Resources Corporation eleva o investimento já feito no País para US$ 1 bilhão (R$ 1,71 bilhão). E tudo isso com vistas ao projeto de mineração Pedra de Ferro, que tem previsão de iniciar a operação somente no primeiro trimestre de 2013.

Orçado em aproximadamente US$ 1,8 bilhão (mais de R$ 3 bilhões), o empreendimento, localizado na região de Caetité, na Bahia, inclui investimentos em uma unidade de concentração de minério, em ferrovias e também em uma proposta de terminal portuário privado na região de Ilhéus, que terá a função de escoar a produção para o mercado asiático, provável principal cliente da Bahia Mineração. A empresa já tem as licenças ambientais para a unidade industrial, mas ainda enfrenta a resistência de entidades ligadas ao meio ambiente em relação ao porto (veja quadro).

Prioridade. Segundo Clovis Torres, vice-presidente da Bahia Mineração, o negócio entre o investidor indiano e a companhia cazaque se deu pela necessidade de capitalizar a empresa proprietária do projeto Pedra de Ferro, da qual a ENRC detinha 50% de participação desde 2008. "Chegamos a um momento em que precisávamos buscar recursos. E a decisão foi por um negócio entre os acionistas", explica.

Ele afirma que a gigante do Casaquistão - que atua no mercado asiático nas áreas de mineração, energia e transporte, com faturamento anual superior a US$ 4,1 bilhões (R$ 7 bilhões) e cerca de 67 mil funcionários - tem o Brasil no centro de suas perspectivas de investimento. "A empresa olha toda a América Latina, mas elegeu o Brasil como prioridade", afirma.

Enquanto o projeto Pedra de Ferro ainda não sai das pranchetas, o grupo casaque contabiliza atualmente 140 funcionários diretos no Brasil. Torres diz que a escala do conglomerado vai se alterar no início de 2013, quando o grupo espera pôr o complexo de mineração em operação: até lá, o número de empregados deve subir para 1,8 mil.

O executivo afirma que, mesmo que nenhuma das 200 fontes de minério em estudo pela Bahia Mineração venha a produzir minério em escala comercial, somente o projeto Pedra de Ferro é suficiente para garantir a operação da companhia por 25 anos. Ele diz que as reservas são estimadas em 500 milhões de toneladas de minério, enquanto a produção anual deverá ficar em 19,5 milhões de toneladas. Entre as áreas em estudo neste momento pela companhia, diz o vice-presidente da Bahia Mineração, estão fontes adquiridas da Vale em maio deste ano.

Embora a companhia ainda concentre sua atuação na Bahia, Clovis Torres não descarta a ampliação do escopo para outras regiões do País: "(A atuação) transcende o território, vai onde esteja a jazida, dependendo do tamanho da fonte. No nosso caso, o ramal ferroviário passará a 9 quilômetros. Mas, se fosse a 100, ainda valeria a pena", afirma.

PARA LEMBRAR

Porto privado divide sul do Estado

A construção de um porto privado em uma área de Mata Atlântica dividiu Ilhéus, no sul da Bahia. O empreendimento Ponta da Tulha, da Bahia Mineração (Bamin), é defendido por aqueles que acreditam no porto como gerador de emprego e de investimentos. Os opositores dizem que as obras no local vão comprometer o meio ambiente, onde predomina a Mata Atlântica.

Ainda falta o aval do Ibama para as obras começarem. O órgão recebeu a recomendação do Ministério Público Federal (MPF) para não conceder a licença prévia para a obra. O local escolhido para o porto fica em uma Área de Proteção Ambiental, a APA Lagoa Encantada.

A Bamin quer escoar minério de ferro de uma mina no município de Caetité por meio do porto. Inicialmente, com medo de não ter como escoar o minério, a empresa previa um mineroduto de mais de 500 km até o porto. A mineradora desistiu da solução quando os governos federal e baiano incluíram no PAC a construção da ferrovia.

Além do MPF, associações de moradores de Ilhéus e entidades ambientalistas são contrárias ao projeto, pois acreditam no grande impacto ambiental e nos prejuízos à economia da região, alimentada pelo ecoturismo e pela atividade pesqueira. / PAULA PACHECO

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