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Grupo é favorito na disputa pela Magnesita

Leilão da empresa, avaliada em US$ 1,2 bi, será definido na semana que vem

Patrícia Cançado e Ricardo Grinbaum, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2011 | 00h00

O GP investimentos é o favorito para comprar a Magnesita, uma das maiores indústrias de Minas Gerais, em um negócio avaliado entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,5 bilhão. No início da semana que vem, o banco Credit Suisse deverá anunciar o nome do vencedor de uma disputa que envolveu quatro outros grupos. Na reta final do leilão, sobraram apenas o GP e o fundo de investimentos brasileiro Tarpon. Pessoas ligadas ao GP já receberam, informalmente, a informação que o grupo teria vencido o leilão, mas não há nada assinado.Fundada em 1940, a Magnesita é responsável pela fabricação de 70% dos tijolos refratários do Brasil, usados como isolantes térmicos em altos-fornos de siderúrgicas e cimenteiras. A empresa também tem minas de magnésio em Brumado, na Bahia, e linhas de produção na Argentina. Sua venda despertou o interesse da maior siderúrgica do mundo, a européia Arcelor Mittal, da indústria austríaca de refratários RHI e do grupo japonês Hurosaki, fornecedor de tecnologia para a própria Magnesita. Mas eles ficaram no meio do caminho. A Magnesita estava praticamente vendida para o fundo Tarpon, quando o GP entrou na disputa com uma oferta mais generosa. Ainda é possível que o Tarpon reveja sua proposta.A Magnesita está sendo vendida porque seus donos, a família Pentagna Guimarães, não tem apetite nem recursos para tocar um plano de expansão agressivo. Para enfrentar a concorrência chinesa e acompanhar a expansão da indústria siderúrgica nacional, a Magnesita teria de duplicar sua capacidade de produção. O caso da Gerdau Açominas é emblemático: a siderúrgica está importando do grupo MinMetals, da China, máquinas, incluindo refratários, para a expandir sua unidade de Ouro Branco, em Minas Gerais. "Ela importou uma fábrica fechada e financiada", diz uma pessoa ligada à Magnesita. "A competição está cada vez mais difícil."Desde a morte do fundador da Magnesita, Hélio Pentagna Guimarães, há quatro anos, seus cinco filhos discutem o que fazer com a empresa. "Eles não têm filosofia nem histórico de se endividar para crescer. A Magnesita sempre procurou crescer reinvestindo seus lucros. Só que agora isso não é mais suficiente", disse uma pessoa ligada à família. A saída foi vender. A decisão foi tomada pelo presidente da empresa, Eduardo Pentagna Guimarães, primo dos donos do banco BMG. Na venda da Magnesita também está incluída a participação de aproximadamente 10% das ações que o ex-governador mineiro Newton Cardoso possui na empresa. Procurado pela reportagem do Estado, Cardoso não foi encontrado para falar sobre o assunto.ESTRATÉGIAA eventual compra da Magnesita e de parte da Pride International marcam uma mudança na estratégia do GP. Seus sócios costumam dizer que ao escolher onde vão aplicar os recursos, a empresa não escolhe setores, mas empresas em que o estilo de gestão e os recursos financeiros do GP possam fazer diferença. Isto é, onde possam criar um ambiente competitivo, melhorar o desempenho da empresa e revendê-la com lucro.A fórmula já foi aplicada em companhias de diferentes setores, da loja virtual Submarino à construtora Gafisa. Mas é a primeira vez que o grupo entra - se o negócio for confirmado - em uma indústria de grande porte. Segundo um sócio do GP, a administradora de recursos buscará investimentos cada vez maiores. O GP está com bala na agulha. Acaba de captar US$ 1,025 bilhão junto a investidores.

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