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Grupo Estado promove debate sobre o uso de energia

Os desafios do Brasil na busca de fontes de energia para a retomada do crescimento econômico foram debatidos por especialistas, políticos e empresários na última quarta-feira no Fórum Estadão de Energia, evento gratuito do Grupo Estado.Com mediação do jornalista e colunista do Estado Celso Ming, especialistas foram convidados para esclarecer questões como o grau de dependência do Brasil em fontes de energia, além da apresentação de uma série de painéis com temas como os passos da auto-suficiência em petróleo e sua sustentabilidade; impactos sociais e ambientais dos programas de energia renovável; avanços e obstáculos no futuro do gás natural e perspectivas do etanol e do biodiesel no contexto da matriz energética. O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, afirmou durante o Fórum que a criação da Lei do Gás não vai resolver os problemas de oferta de combustível no País. Segundo ele, em todos os países do mundo os investimentos em infra-estrutura para produção e distribuição do gás natural foram feitos por um grande investidor que apostou no setor e assumiu os riscos. Os demais empreendedores apareceram depois que esses investimentos maturaram e deram retorno. Gabrielli negou que a estatal queira atuar sozinha nesse setor e afirmou que o Brasil é livre.O presidente da estatal afirmou também que até 2010 a produção de gás será da ordem de 110 milhões de metros cúbicos (m3) por dia, sendo 30 milhões de m3 importados da Bolívia e 69 milhões de m3 de produção nacional. Ele ressaltou ainda que é extremamente importante investir na expansão da malha de gasodutos para abastecer o País de forma eficiente. Sobre o supergasoduto que poderá interligar a América do Sul, Gabrielli disse que do ponto de vista da integração futura é perfeito, mas ponderou que todos os países produtores terão de estar ligados, entre eles Venezuela, Peru, Bolívia e Brasil. Segundo ele, só assim fica "eliminado o risco de uns quererem mandar nos outros".O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, anunciou durante o Fórum Estadão de Energia o adiamento do leilão de energia nova para o dia 29 de junho. Segundo ele, a empresa decidiu esticar mais o prazo para possibilitar a entrada de usinas que ainda estão sem licenças ambientais. Durante a apresentação no evento, Tolmasquim reconheceu as dificuldades para conseguir licenças ambientais para hidrelétricas. "Quase todas as novas usinas estão no Norte do País, já que o potencial do Sul e Sudeste já se exauriu." Mas o executivo, que baseou sua palestra na hidreletricidade e bioeletricidade, afirmou que todos os cuidados estão sendo tomados para garantir o menor impacto possível ao meio ambiente. Segundo ele, apenas 0,03% da Amazônia seria usada para construir todos os projetos previstos no Plano Decenal na região Norte e, assim, atender a demanda de energia do País.O presidente da União da Agroindústria Canavieira (Unica), Eduardo Pereira de Carvalho, defendeu durante sua apresentação a volta da adição de 25% de álcool anidro na gasolina. A mistura do aditivo foi reduzida pelo governo federal em janeiro. Carvalho afirmou que a redução da mistura piorou as condições ambientais das grandes cidades brasileiras, o que justificaria já uma revisão da medida pelo governo.Embora defenda a idéia, o presidente da Unica afirmou que não conseguiu conversar mais com o governo sobre o assunto. Ele criticou a atual falta de interlocução com o governo federal após a crise da última entressafra. Cobrou medidas para a criação de estoques regulares no período de safra a fim de garantir menor instabilidade de preços na próxima entressafra e reconheceu que ainda faltam dados mais precisos sobre qual a evolução do mercado brasileiro e internacional.A previsão da Unica é que a exportação de álcool neste ano deverá chegar a 2,4 bilhões de litros, praticamente o mesmo que foi embarcado no ano passado. Carvalho afirmou também que hoje há 89 projetos de novas usinas no País, sendo 10 no Norte e Nordeste e o restante na região Centro-Sul. Até a safra 2010/2011 o setor estará moendo 560 milhões de toneladas de cana.O presidente da Comissão de Energia e Meio Ambiente da Anfavea, Henry Joseph Júnior, afirmou que a indústria está empenhada em desenvolver uma nova tecnologia que substitua a dos atuais motores de combustão interna. De acordo com ele, há pelo menos três pré-requisitos que precisam ser atendidos: substituição dos combustíveis fósseis por renováveis, não-emissão de poluentes nem impacto ambiental urbano e ausência de impacto negativo no aquecimento global.De acordo com o executivo, a viabilidade desses pontos, além da econômica, pelo menos por enquanto só contempla tecnologias que utilizam etanol ou biodiesel - duas fontes produzidas pelo Brasil. Ele afirmou que a busca por alternativas não pode ficar a cargo apenas da iniciativa privada e deve ser uma prioridade também dos governos e das universidades.

Agencia Estado,

25 de maio de 2006 | 19h41

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