Stephane Mahe/Reuters
Stephane Mahe/Reuters

Grupo francês Casino prepara terreno para venda de participação no GPA

Segundo fontes, franceses contrataram banco para destravar valor do negócio para futura venda, que não deverá incluir atacarejo Assaí; antes, grupo pretende se desfazer de braço de e-commerce CNova e do Éxito, na Argentina e na Colômbia

Fernanda Guimarães e Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2021 | 17h55

O grupo francês Casino contratou o banco brasileiro BR Partners para começar a estruturar a venda de sua fatia no GPA, dono da marca Pão de Açúcar, apurou o Estadão com fontes de mercado. Por enquanto não há nenhuma negociação efetiva em curso, pois o objetivo do Casino, conforme fontes, é se desfazer primeiro Cnova, seu braço de comércio eletrônico, e do Grupo Éxito, com presença na Colômbia, Uruguai e Argentina.  

A participação do Casino no GPA é hoje de 41,2%. O negócio como um todo vale pouco mais de R$ 4 bilhões na Bolsa brasileira – mais do que o dobro do que há um ano. A porta de saída se refere somente ao grupo dono da bandeira Pão de Açúcar, e não ao atacarejo Assaí, que é um negócio mais rentável e no qual o Casino pretenderia permanecer. Esse ativo tem hoje um valor de mercado bem maior do que o do GPA: R$ 22,8 bilhões.

O Casino entrou no GPA nos anos 1990, em uma época em que o grupo, então controlado pela família Diniz, enfrentava dificuldades financeiras. O contrato previa que, em 2012, Abilio Diniz passaria aos franceses o controle da companhia. 

Um ano antes dessa data, no entanto, Abilio tentou costurar a união do grupo Pão de Açúcar com o Carrefour, sem passar o comando de negócio ao sócio francês. A tentativa de fusão não deu certo e azedou a relação entre o empresário brasileiro e Jean-Charles Naouri, do Casino.

A resolução do conflito foi tensa e incluiu até mesmo a participação de um dos maiores especialistas do mundo em resolução de conflitos, o antropólogo americano Wiliam Ury. O fim da “guerra”, em 2017, foi selado com a saída de Abilio da empresa fundada por seu pai. Hoje o empresário é um dos principais acionistas do Carrefour, no Brasil e na operação global.

Estrutura da operação 

Apesar de a operação brasileira não ser a primeira na fila para ser vendida, o banco chegou a sondar o empresário Michael Klein, da família fundadora da Casas Bahia, sobre eventual interesse na aquisição da participação no GPA, segundo fontes.

A ideia seria replicar a mesma estrutura utilizada há dois anos, juntamente com a XP, na qual o empresário comprou a participação do GPA na Via Varejo, recentemente rebatizada de Via

Naquela operação, o GPA, que era o principal acionista da companhia, vendeu suas ações em um leilão na Bolsa. Klein entrou como comprador e voltou à posição de principal sócio da varejista de eletrodomésticos. A empresa, que à época vivia dificuldades, entrou desde então em um processo de reestruturação, tendo mostrado recuperação em seu balanço.

O empresário teria chegado a participar de algumas reuniões, mas o assunto não andou, ao menos até o momento. Segundo fontes, haveria mais interessados no GPA. A exemplo do que ocorria com a Via dois anos atrás, há a noção de que as lojas do Pão de Açúcar estão precisando de investimentos em modernização.

A venda da fatia do Casino no GPA começou a ganhar força neste ano diante da valorização das ações da companhia na B3, algo impulsionado pela cisão do atacarejo Assaí, que passou a ser uma empresa listada separadamente na B3. A mudança ajudou a destravar o valor do GPA, que subiu cerca de 130% apenas neste ano.

Esse movimento de valorização continuou nesta segunda-feira, 21, com a movimentação em torno do GPA. Os papéis do grupo subiram 7,88%, para R$ 40,38.

Procurados pela reportagem, Casino e Michael Klein não comentaram. O BR Partners não retornou o contato da reportagem. O GPA disse desconhecer “qualquer informação a respeito do assunto".

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