Grupo Galileo é alvo de protesto no Rio

Professores e alunos da Gama Filho e da UniverCidade pedem a intervenção do MEC e o afastamento do grupo da gestão das escolas

MARINA GAZZONI , O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2013 | 02h04

Os professores e alunos da Universidade Gama Filho e da UniverCidade, localizadas no Rio de Janeiro e controladas pelo grupo Galileo, pedem a intervenção do Ministério da Educação (MEC) nas instituições e o afastamento do Galileo da gestão das escolas. Com dívida estimada em R$ 900 milhões, o funcionamento das universidades está comprometido.

Serviços como limpeza, segurança e internet, foram suspensos e as condições de ensino são precárias, relatou a diretora do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro (Sinpro-Rio), Magna Correa, professora na UniverCidade.

Os professores da UniverCidade estavam em greve até a semana passada, mas retomaram as aulas ontem para encerrar o semestre letivo. Na Gama Filho, haverá uma assembleia hoje para decidir se os professores vão interromper as atividades. Um grupo de alunos da instituição está acampado na reitoria do campus Piedade.

"Estamos há anos com salários atrasados e sem depósito de contribuição previdenciária e FGTS, uma situação que piorou com a venda ao Galileo", disse Magna. "Queremos a intervenção do MEC, a regularização de pagamentos e o descredenciamento do grupo."

O Galileo está sob investigação do MEC desde março. Um processo de supervisão foi instaurado "por conta de denúncias de irregularidades praticadas desde o início da gestão do grupo Galileo", disse o MEC, em comunicado.

Na sexta-feira, o MEC determinou a suspensão do vestibular das duas redes e proibiu as universidades de receber novos alunos em cursos de pós-graduação e processos de transferência. Segundo o MEC, a medida valerá "até que seja comprovada a retomada dos ajustes financeiros trabalhistas firmados, bem como apresentação de garantias idôneas de disponibilidade financeira".

A Galileo também se tornou alvo de uma CPI na Assembleia Legislativa do Rio, após demitir 600 funcionários.

Crise. As dificuldades financeiras das duas universidades começaram quando elas ainda eram administradas pelos antigos donos: a família Gama, da Gama Filho, e o ex-banqueiro Ronald Levinsohn, da UniverCidade. "Eles entraram na guerra de preços do ensino superior, gastaram mais do que sua receita e acumularam dívidas", conta o consultor especializado em educação Carlos Monteiro. "As universidades tinham prestígio. As famílias venderam para se livrar do passivo", relata.

A possibilidade de fusão das duas operações era estudada há pelo menos sete anos. No passado, a operação foi descartada pela alta dívida das empresas, que já soma cerca de R$ 400 milhões, a maioria em débitos com o INSS, conta uma fonte próxima ao assunto. "Não tem solução de mercado. Só dá pra salvar as universidades com uma espécie de Proer (programa de reestruturação do setor financeiro) para a educação", disse a fonte.

O Galileo nasceu em 2010 e comprou as duas escolas em 2011, sob o comando do advogado Márcio Costa. Nos bastidores, Costa dizia que tinha contatos no governo e que poderia renegociar o passivo com o INSS, o que não ocorreu, apurou a reportagem. Mas Costa conseguiu levantar recursos com os fundos de pensão Postalis e Petros - no relatório de 2012, constam investimentos de R$ 50 milhões em ações da Galileo, no Postalis, e debêntures de R$ 22,4 milhões, na Petros.

Desde então, o Galileo passou por quatro reestruturações. Hoje é controlado pelo pastor Adenor dos Santos, da Aliança Batista. O grupo, Santos e Costa não foram localizados para comentar a questão. / COLABOROU NAIANA OSCAR

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