Globo passa a deter 100% do 'Valor Econômico'

Companhia comprou participação de 50% que pertencia à Folha no jornal de economia e negócios fundado pelos dois grupos em 2000

O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2016 | 14h36
Atualizado 14 Setembro 2016 | 00h02

O Grupo Globo passará a deter 100% do jornal Valor Econômico ao comprar os 50% das ações que pertenciam ao Grupo Folha. O comunicado, divulgado ontem, não revelou o valor da operação. O negócio ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para ser finalizado.

O fim da parceria entre dois dos maiores grupos de comunicação do Brasil estava sendo costurado havia alguns meses. Uma fonte de mercado afirmou que, para que a sociedade fosse desfeita, ambas as companhias poderiam fazer propostas de compra ou de venda.

Inicialmente, o Grupo Folha teria feito uma oferta pelos 50% de sua sócia, em parceria com um empresário brasileiro que não é do ramo de comunicação. O Grupo Globo teria decidido, em vez de vender sua parte, cobrir a proposta, que acabou sendo aceita pela Folha. Desta forma, passará a deter 100% da empresa Valor Econômico S/A assim que o acordo tiver o aval de órgãos reguladores.

Para criar o Valor Econômico, há 16 anos, o investimento inicial dos grupos Globo e Folha foi de aproximadamente US$ 50 milhões. 

Em julho, a circulação média do Valor Econômico foi de 61.184 exemplares por dia, sendo 35.853 referentes ao jornal impresso, de acordo com dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC).

Além do jornal diário, a empresa também publica revistas e rankings empresariais periódicos, como Valor 1000, Executivo de Valor e Valor Carreira. 

Tempo real. Em 2013, o jornal anunciou a criação de um serviço de notícias e indicadores econômicos em tempo real para concorrer com sistemas nacionais e estrangeiros, como Broadcast (do Grupo Estado), Reuters e Bloomberg. 

De acordo com fontes de mercado, o investimento no projeto de informações em tempo real foi de aproximadamente R$ 100 milhões. 

Segundo apurou o Estado, a dificuldade em tornar o Valor Pro competitivo teria sido o principal motivo para o fim da sociedade. 

Apesar disso, o endividamento da empresa Valor Econômico S/A continuou a ser baixo, uma vez que os sócios teriam feito uma nova capitalização no negócio recentemente, de acordo com uma fonte. 

Trajetória. O Valor Econômico foi criado em 2000 para concorrer com o então tradicional líder em notícias de economia e negócios, a Gazeta Mercantil. Originalmente fundada em 1920, a Gazeta Mercantil passou por uma crise financeira logo depois do lançamento do Valor, deixando de circular no fim de 2009. 

Houve uma tentativa mais recente de criação de um concorrente direto para o Valor Econômico. O Brasil Econômico, projeto elaborado pelo grupo português Ongoing, começou a circular em outubro de 2009, mas também não se revelou duradouro. O jornal não conseguiu completar seis anos no mercado e foi extinto em julho do ano passado.

O jornal em números:

35.853 foi a circulação diária média do ‘Valor Econômico’, contando apenas a versão impressa, em julho deste ano, último dado disponível do Instituto Verificador de Circulação (IVC)

US$ 50 milhões foi o investimento inicial feito pelos grupos Folha e Globo para a fundação do jornal de economia e negócios, em 2000

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