Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Grupo Iguatemi vai lançar plataforma de vendas online no próximo ano

Empresa de shoppings prepara estreia do próprio marketplace para o primeiro semestre de 2019, seguindo tendência de grandes redes do setor que tentam aliar o varejo online ao físico

Cátia Luz e Felipe Laurance, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2018 | 05h00

Fundado na década de 60, o Shopping Iguatemi, o mais antigo do País, se prepara para entrar na era digital. A rede dona do shopping e de outros 16 no Brasil vai lançar no primeiro semestre do ano que vem o e-commerce Iguatemi 365. No formato de marketplace – uma espécie de shopping center virtual, que reúne diversas lojas em um só lugar –, o projeto começará com 64 marcas presentes nas unidades da rede, mas ainda mantidas sob sigilo.

“Será um e-commerce premium, que terá a curadoria da marca Iguatemi. A tecnologia do marketplace se assemelha ao nosso negócio: seremos também no ambiente online uma integradora entre os clientes e as marcas, recebendo uma comissão por esse negócio”, explica Carlos Jereissati Filho, presidente da Iguatemi Empresa de Shopping Centers.

De acordo com o executivo, o grupo tem a seu favor o fato de ter uma marca reconhecida, o que é muito pouco usual no setor. “Temos um nome com uma força no comércio de shopping, em moda e estilo de vida. A gente já tem quase um milhão de usuários únicos nas redes, olhando informações do nosso shopping. Facilita muito para esse consumidor ter um canal de compras nesse ambiente”, acrescenta Jereissati.

A novidade será apresentada na segunda edição do Iguatemi Talks, evento sobre sustentabilidade e tendências do setor de moda e varejo, que começa hoje e vai até quinta-feira, e que terá entre os palestrantes Ermenegildo Zegna, presidente do Ermenegildo Zegna Group e o designer Christian Louboutin.

Jereissati ressalta ainda que a criação da plataforma online de vendas é importante para fortalecer o varejo do grupo como um todo. “‘Gostei, vi no online, vou ao shopping e compro. Comprei, não ficou bom, vou ao shopping e troco.’ Com o e-commerce, a gente vai oferecer para o cliente de todo o Brasil o Iguatemi 24 horas por dia, 365 dias por ano. Daí o nome.”

Hoje, a complementariedade entre o varejo físico e o e-commerce já está consolidada, na avaliação de Glauco Humai, presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). “Não existe crescimento do online sem o físico. E vice-versa. E cada vez mais essas estruturas precisam ser mais integradas, porque para o consumidor só existe um canal”, diz Humai.

Experiências no setor 

No setor, vários grupos estão testando soluções para aliar os dois movimentos. Em maio, com objetivo de desenvolver modelo de entregas usando shoppings centers como centrais de distribuição, a BRMalls, maior administradora de shoppings da América Latina, comprou uma participação na plataforma para entregas Delivery Center. A empresa atua como plataforma aberta, que integra diferentes sites de comércio eletrônico às lojas dos shoppings. Com o modelo, chamado de “ship from mall”, a empresa consegue entregar produtos em um dia ou até em uma hora. Forte em Porto Alegre, a companhia se prepara para chegar a São Paulo no mês que vem. A BRMalls também está à frente da área de varejo do Cubo Itaú, centro de empreendedorismo e startups criado pelo Itaú Unibanco.

Dona do BarraShopping e de outros 18 empreendimentos Brasil, a Multiplan criou a Startplan, uma espécie de aceleradora para empresas iniciantes que desenvolvem tecnologias voltadas para o varejo. Já o grupo CCP, que pertence à Cyrela e é dono dos Shopping Cidade São Paulo e Tietê Plaza Shopping, mantém desde o final do ano passado a plataforma online On Stores.

Para o consultor Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da consultoria GS&Malls, a criação de e-commerce pelos shoppings é limitada aos grandes grupos, que concentram cerca de um terço do comércio no País e têm capital para operações do gênero. Na avaliação de Marinho, os grupos terão ainda grandes desafios pela frente.

“Ao mesmo tempo que isso é uma oportunidade, é um problema porque a maior dificuldade do e-commerce, em especial no Brasil, é justamente a logística. O custo da entrega e da devolução é extremamente alto e nossas distâncias continentais, junto com os problemas de aeroportos, rodovias, correios e tudo mais não são exatamente os ideais.”

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