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Grupo Lorentzen deixa conselho da Aracruz

Os representantes da Arapar, holding do grupo Lorentzen, no conselho de administração da Aracruz, renunciaram ontem aos cargos. O movimento é uma demonstração de que o negócio de venda da participação da família Lorentzen para a Votorantim continua de pé - ao menos do ponto de vista do vendedor. O negócio, anunciado em setembro, deveria ter sido concluído em 6 de outubro. Mas o acordo foi adiado depois que a Aracruz anunciou perdas com operações com derivativos cambiais - um prejuízo que chega a US$ 2,1 bilhões. Desde o anúncio das perdas, em 25 de setembro, o valor de mercado da Aracruz já caiu 77%. A Votorantim, que já detém 28% da Aracruz por meio da Votorantim Celulose e Papel (VCP), quer primeiro, segundo fontes, esperar a conclusão da renegociação da dívida da Aracruz com os bancos para então concretizar a compra da participação da Arapar - que, no contrato, está avaliada em R$ 2,7 bilhões. A renegociação da dívida da Aracruz estava prevista para ser concluída até o fim deste mês, mas foi adiada.Apesar de a Arapar querer sinalizar que está tudo dentro do cronograma normal, a probabilidade de o negócio ser adiado é "altamente provável", revela uma fonte ligada à transação.A saída dos conselheiros Haakon Lorentzen, Eliezer Batista da Silva e Luiz Aranha Corrêa do Lago estava prevista no contrato e já deveria ter acontecido. Ela foi adiada por causa de uma auditoria interna realizada na Aracruz para apurar as responsabilidades sobre o prejuízo com as operações de derivativos. Na segunda-feira, o conselho de administração analisou o relatório da auditoria e decidiu processar o ex-diretor financeiro da companhia, Isac Zagury. "Faz parte da nossa obrigação como vendedor entregar esses cargos", afirmou Carlos Temke, suplente do conselho de administração e integrante do comitê estratégico, que também renunciou ao cargo esta semana, juntamente com os outros dois suplentes. "Achamos que seria ruim sair durante a investigação. Uma vez terminada a investigação, resolvemos focar na operação (de venda)." Questionado sobre a intenção do grupo Votorantim em adiar a conclusão da compra, Temke afirmou não ter conhecimento. "Estamos trabalhando no cronograma normal da operação. Agora estamos aguardando o comprador fazer o pagamento para realizar a transferência das ações."De acordo com uma fonte próxima à transação, o contrato assinado entre Votorantim e Arapar não possui cláusula de saída. "A Votorantim não tem a opção de desistir do contrato e pagar uma multa", disse a fonte. Se houver uma desistência, a Arapar poderá exigir o cumprimento do contrato na Justiça.No dia 15 de setembro, a VCP divulgou um comunicado afirmando que a incorporação da participação da Arapar, do jeito que havia sido anunciada, com a empresa dividindo o controle da Aracruz com o outro sócio, o Safra, não iria acontecer. No entanto, no entendimento da Arapar, o comunicado da VCP não representa uma desistência do negócio. "Tem havido uma grande confusão, o comprador é a Votorantim Industrial", afirmou Temke. Uma coisa, no entendimento da Arapar, é a Votorantim Industrial, empresa de capital fechado, comprar a participação. A outra é a VCP, uma empresa de capital aberto, incorporar essa participação.

Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

29 de novembro de 2008 | 00h00

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