Grupo Martins aposta nas lojas de bairro

Segundo maior atacadista do País, grupo mineiro vai dobrar investimentos para atender busca do consumidor por mais comodidade

SUZANA INHESTA , BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2014 | 02h04

Segundo colocado no ranking nacional dos maiores do segmento atacadista distribuidor da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad), o grupo mineiro Martins, com sede em Uberlândia, na região do Triângulo Mineiro, vai praticamente dobrar seus investimentos entre 2014 e 2015.

Nos dois últimos anos, os aportes totais ficaram entre R$ 20 e R$ 30 milhões por ano. Em 2014 e 2015, os investimentos devem somar cerca de R$ 100 milhões. A decisão é justificada pela tendência do consumidor de frequentar mais as lojas de vizinhança na procura por comodidade.

No ano passado, o segmento atacadista e distribuidor faturou R$ 197,3 bilhões, valor que representa uma alta real de 4,4% em relação ao ano anterior. Entre os fatores que impulsionaram o crescimento está justamente o avanço dos supermercados pequenos e médios, que viram suas vendas aumentarem 12,2% em 2013.

"O momento é de comprar nos bairros", diz Walter Faria, diretor-geral do grupo. "O brasileiro não quer perder tempo e, com uma inflação crescente, a tendência é de compras menores, sem estoques." Hoje, a companhia atende 350 mil pequenos varejistas em todos os Estados do País - de mercados a lojas de materiais de construção.

A aposta nas lojas de vizinhança vem de conhecimento de causa. Além do atendimento a pequenos varejistas, o Grupo Martins também atua com uma rede de franquias de lojas de bairro, a Smart. Hoje, são 912 unidades e a rede deve alcançar 950 até o fim do ano. "É uma operação que cresce em torno de 7% e 10% ao ano. Queremos, no mínimo, manter esse ritmo", diz Faria.

Há 14 anos no mercado, a rede de franquias Smart tem visto a concorrência aumentar recentemente. O Grupo Pão de Açúcar, por exemplo, lançou em junho deste ano a bandeira Minuto, com lojas menores voltadas para um público de alto padrão. A meta é terminar o ano com 15 unidades do tipo. "Quem não executar bem essa atividade, não vai sobreviver no ramo", disse Faria.

No ano passado, a companhia teve faturamento de R$ 4,4 bilhões, aumento de 15,3% frente ao resultado de 2013. A performance é maior do que a do setor atacadista distribuidor. Para 2014, a meta é chegar aos R$ 5 bilhões em receita bruta. "Até agora, o crescimento do faturamento está em 12,5%", informou o executivo, dando sinais de que o montante pode ficar acima do previsto.

Logística. Com dez Centros de Distribuição concentrados no Norte e Nordeste do País, com 38 pontos de transbordo, onde a carga de carretas é transferida para caminhões menores, o Grupo Martins vem ampliando sua cadeia logística. "Acabamos de inaugurar um centro no Rio de Janeiro. No próximo dia 3, inauguraremos o de Jundiaí (SP) e no começo de 2015 abriremos um em Aparecida de Goiânia (GO)", disse. A ideia, segundo o executivo, é descentralizar o abastecimento para acompanhar a regionalização do varejo.

O grupo também atende os clientes por meio do e-commerce. Essa operação já representa 7% do faturamento total da companhia, com crescimento anual de 15% a 20%. A ampliação desse modelo, no entanto, está sendo estudada internamente. "Ainda precisamos superar uma série de obstáculos. Nossa prioridade é rentabilizar a operação, porque o custo dela é grande, principalmente em logística."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.