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Grupo nasce com receita de R$ 4,3 bi

Fusão se dará por meio da incorporação de ações da Anhanguera pela Kroton, sem que haja necessidade de pagamento em dinheiro

DAYANNE SOUSA, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2013 | 02h05

O mercado amanheceu ontem com o surpreendente anúncio do maior negócio já registrado no mundo na área de educação. Kroton e Anhanguera, ambas controladas por fundos de investimento e já líderes no Brasil, uniram suas operações para formar um conglomerado com quase 1 milhão de alunos, receita de R$ 4,3 bilhões e presença em 835 cidades brasileiras. "Este é o momento mais importante das histórias dessas companhias", disse Rodrigo Galindo, presidente da Kroton.

A fusão das companhias se dará por meio da incorporação de ações da Anhanguera pela Kroton. Não houve pagamento em dinheiro e 75% dos papéis da nova empresa estarão pulverizados no mercado de capitais. O restante ficará nas mãos dos acionistas de Kroton e Anhanguera, na proporção de 57,48% e 42,52%. A forma como foi estruturada a operação fez analistas do setor olharem o negócio como uma aquisição, mas os executivos das duas companhias enfatizam que não há sobreposição de uma empresa sobre a outra.

A companhia resultado da fusão manterá o nome de uma das partes, a Kroton Educacional, e o atual presidente da Anhanguera, Ricardo Scavazza, será indicado para o conselho de administração. O conselho será presidido pelo maior acionista individual da Anhanguera, o empresário Gabriel Mário Rodrigues, fundador da Anhembi Morumbi.

A fusão ainda aguarda aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o que pode levar até 330 dias. Os executivos das duas companhias acreditam na aprovação. Segundo Galindo, que deve continuar no comando da nova empresa, há apenas quatro municípios com sobreposição das duas redes: Cuiabá, Belo Horizonte, Jundiaí e Rondonópolis. A Anhanguera controla marcas como a Uniban, e a Kroton, tem entre suas instituições a Unopar e a Iuni.

Para o analista de educação do banco Santander, Bruno Giardino, o Cade tende a avaliar regionalmente a competição, como vem fazendo ao analisar casos de aquisições passadas dessas mesmas companhias. O ponto mais sensível deve ser o ensino a distância. De acordo com Galindo, a sobreposição neste segmento é de 10%.

Consolidação. Segundo fontes, as conversas entre Kroton (controlada pelo fundo Advent) e Anhanguera (controlada pelo Pátria) começaram há apenas quatro meses. Desde 2011, havia a expectativa de que duas grandes instituições poderiam se unir, dando início a uma nova fase de consolidação no setor. "Mas tudo levava a crer que o negócio seria fechado entre o grupo Estácio de Sá e a Anhanguera", diz o consultor Carlos Monteiro, da CM Consultoria. "Essa foi a maior surpresa."

A fusão foi considerada estratégica por Galindo e Scavazza para o cenário atual vivido pelo setor de educação. Um dos fatores favoráveis apontados por eles é a maior "hostilidade" do mercado de aquisições no setor. "No último semestre, houve um aumento na percepção de valor de ativos de capital fechado, o que ratifica que este é o melhor momento para nos associarmos", disse Galindo. O movimento prejudica principalmente a concorrente Estácio. Só neste ano a carioca passou a considerar a possibilidade de uma aquisição de grande porte.

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