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Grupo português Ongoing compra o iG

Portal pertencia à Oi, que resolveu se concentrar em telecomunicações

O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h07

A Oi vendeu ontem as áreas de conteúdo e publicidade do portal iG para o grupo português Ongoing. A venda faz parte da estratégia da Oi de concentrar seu foco em serviços de telecomunicações. A venda não incluiu o segmento de serviços digitais e a oferta de acessos de banda larga do portal, que continuam da Oi. O valor da operação não foi divulgado.

"Com o objetivo de aumentar o foco da Oi nos negócios ligados à banda larga e dar mais autonomia ao negócio de conteúdo/publicidade, firmamos nessa data um acordo para a venda de 100% desta linha de negócio para a Ongoing", disse o iG em comunicado interno enviado ontem a funcionários, ao qual o Estado teve acesso.

A aquisição reforça a presença da Ongoing na área de mídia no Brasil. O grupo é acionista da Ejesa, dona dos jornais Brasil Econômico, O Dia, Marca e Meia Hora. O iG é um dos portais mais acessados no Brasil, com 23,48 milhões de visitantes únicos em março e 2,076 bilhões de page views, segundo dados do Ibope.

Desde outubro do ano passado circulam rumores de que a Oi queria se desfazer do iG. Além da Ongoing, outros grupos manifestaram interesse na aquisição, como a holding digital da RBS, o Yahoo e a Editora Abril.

Negociação. A proximidade da Ongoing com a Oi facilitou as negociações entre eles. A Ongoing é a segundo maior acionista da Portugal Telecom, que tem cerca de 25% do capital da Oi. A operadora de telecomunicações brasileira, por sua vez, é dona de cerca de 7% da Portugal Telecom.

A Oi se tornou controladora do iG em 2008, quando comprou a Brasil Telecom, então dona do portal. No fim de 2009, a empresa começou a reformular o portal. O site contratou cerca de 150 jornalistas em um ano e meio e investiu R$ 80 milhões.

Os sinais de que a Oi pretendia mudar o foco começaram em fevereiro de 2011, quando o diretor de Inovação e Novos Negócios da Oi, Pedro Ripper, assumiu a presidência do iG.

Meses depois a empresa começou a cortar custos na área de conteúdo e passou a valorizar mais o segmento de serviços digitais, que inclui a oferta de antivírus e hospedagem de sites, por exemplo.

Além do iG, a Oi fez outro desinvestimento na área de conteúdo recentemente. A empresa encerrou na virada do ano a transmissão da Oi FM, que hoje está disponível apenas na internet.

Em reunião com investidores na terça-feira, o presidente da Oi, Francisco Valim, admitiu que a operadora perdeu o foco entre 2008 e 2009. Agora, a empresa concentrará 80% dos seus investimentos na modernização e ampliação de sua rede. A Oi anunciou investimento de R$ 24 bilhões até 2015.

Limite. O investimento da Ongoing em veículos de mídia brasileiros já foi alvo de investigação do Ministério Público Federal de São Paulo. A lei brasileira limita a participação de estrangeiros em empresas de comunicação a 30% das ações.

A Ongoing é dono de 29,9% da Ejesa. Os outros 70,1% pertencem à brasileira Maria Alexandra Vasconcellos, casada com Nuno Vasconcellos, presidente da Ongoing.

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