Infográfico/Estadão
Infográfico/Estadão

Grupo quer atrair fundos para parcerias em projetos futuros

Endividado, WTorre enfrenta restrição de crédito e terá de cortar custos; recessão compromete projetos

Mônica Scaramuzzo, Impresso

13 de fevereiro de 2017 | 05h00

O empresário Walter Torre Júnior precisa enxugar ainda mais a estrutura do grupo para tentar atrair fundos de investimentos para projetos futuros, que vão se concentrar mais em galpões logísticos, edifícios comerciais e infraestrutura. Torre não quer repetir o modelo adotado pelo grupo no passado recente, como foi o caso da joint venture com australiana Goodman, extinta no ano passado após quatro anos de parceria.

Não será nada fácil para a WTorre atrair parceiros, considerando as pesadas dívidas e as denúncias que recaíram sobre o grupo no ano passado, segundo fontes. Sem crédito e com a imagem arranhada, o trabalho recém-iniciado pela Ivix terá um longo desafio pela frente.

Com perfil centralizador, Walter Torre vai voltar ao dia a dia dos negócios. As relações com seu sócio, Paulo Remy, que chegou ao grupo há 12 anos pela consultoria Galeazzi para reestruturar a empresa, estremeceram nos últimos meses.

Ele tentou reestruturar o grupo ainda em 2007 para ir à Bolsa, mas não teve sucesso. Os executivos Marco Antonio Bologna, ex-TAM; e João Cox, ex-Claro, foram chamados para gerir os negócios, mas tiveram passagens relâmpago pelo grupo entre 2010 e 2013, respectivamente.

Sem sucessão. No fim do ano passado, havia especulações de que Torre iria colocar seu filho Paulo nos negócios, mas não foi adiante. “Meus filhos (ele também tem mais duas filhas) estão seguindo seus próprios projetos”, disse o empresário.

Se conseguir equalizar suas dívidas – conversas que ainda estão em discussão –, também deverá tocar um projeto no porto em Itaqui, no Maranhão, com um parceiro chinês, para escoamento de produtos.

O que se verá pela frente deverá ser um movimento de corte de custos, com mais demissões, venda de ativos. O grupo já se desfez de importantes negócios, como a venda de participações em shoppings – a do JK Iguatemi rendeu R$ 640 milhões em 2014 para o grupo Iguatemi, da família Jereissati.

Torre conta que está na disputa de um projeto de Parceria Público-Privada (PPP) de iluminação pública para a Prefeitura de São Paulo, orçado em R$ 7 bilhões, mas que está suspenso pela Justiça. “Gosto de projetos de mobilidade. Fiz o Parque do Povo e me orgulho de ter criado esse projeto (uma forma de compensação para o tráfego da região com a construção do complexo de torres do JK Iguatemi).”

No Allianz Parque, pretende criar um museu de cera com jogadores, como o Madame Tussaud, para atrair receita. Torcedor do Santos, Torre diz que não liga para futebol. “Meu avô era palmeirense roxo.”

Fontes de mercado afirmam que a situação do grupo não é muito diferente de outras grandes construtoras e incorporadoras que foram abatidas pela recessão. Alavancadas, correm contra o tempo para renegociar dívidas e ganhar fôlego para evitar recuperação judicial.

Procurada, a Ivix não comentou sobre a reestruturação. /M.S.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.