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Grupo russo vende ações do Facebook

Mail.ru aproveita bom momento da rede social para se desfazer de 14,7 milhões de papéis por US$ 525 milhões

MARK SCOTT, ANDREW E. KRAMER / LONDRES, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2013 | 02h11

Mais de um ano depois da oferta pública inicial do Facebook, os investidores agora colhem as recompensas. Ontem a empresa de internet russa, Mail.ru, que pertence em parte ao bilionário Alisher Usmanov, anunciou a venda das suas ações remanescentes na rede social por US$ 525 milhões.

A empresa russa havia adquirido uma participação no Facebook em 2009 por US$ 200 milhões. Alisher Usmanov também comprou participações em inúmeras empresas de internet nos Estados Unidos, incluindo a Zynga, especializada em games em redes sociais, e o site de compras coletivas GroupOn.

Ao vender 14,2 milhões de ações, ou aproximadamente 0,7% dos papéis em circulação do Facebook, a Mail.ru, lucra com a recuperação do preço das ações da rede social, que haviam despencado quando elas começaram a ser negociadas na bolsa de valores Nasdad, em maio de 2012.

Depois de o valor da ação do site atingir US$ 38 na sua oferta pública inicial, os papéis da empresa registraram uma queda de mais de 50% nos primeiros três meses de negociação na bolsa. Entre as principais razões para a queda brusca estavam os temores de investidores de que a companhia não estaria preparada para o aumento de usuários por meio de plataformas móveis, como smartphones e tablets, e que estavam usando seus aparelhos para navegar na rede mundial.

Inúmeros problemas técnicos também prejudicaram a oferta de ações, incluindo falhas nos sistemas de pregão da Nasdaq.

Apesar dos problemas e dos receios iniciais, as ações da rede social registraram um aumento de 125% nos últimos 12 meses, em parte graças à ofensiva da empresa no setor de celulares. Ontem, o preço da ação fechou o pregão em US$ 42,66, em uma alta de 2,11%.

Retorno. Procurando se beneficiar com esta alta, a Mail.ru anunciou a venda da sua participação remanescente em julho e agosto. "O Facebook não é um ativo essencial para o Mail.ru Group e a companhia vendeu sua participação quando as ações da empresa norte-americana estavam em alta", disse Ivan Streshinsky, diretor da USM Holdings, empresa que administra os investimentos de Usmanov.

Com a venda, a Mail.ru agora concentra-se estritamente nos serviços de internet na antiga União Soviética. De acordo com o site russo de notícias Lenta, a companhia poderá usar os recursos obtidos com a venda das ações do Facebook para aumentar sua participação na rede social russa VKontakte, que provou ser um forte concorrente do Facebook no mercado local. O site tem cerca de 100 milhões de usuários ativos, dos quais 46 milhões acessam o serviço todo dia.

Usmanov é um dos homens mais ricos da Rússia e seus negócios incluem uma participação na operadora russa de celulares MegaFon. O site Mail.ru ultimamente tem expandido para as redes sociais e jogos online no mercado doméstico.

Ontem, o Mail.ru anunciou um aumento dos lucros no primeiro semestre do ano, antes de pagos os impostos de 26%, para cerca de US$ 200 milhões.

Apostas. Experiências anteriores da companhia com redes sociais na Rússia, levaram o investidor Yuri Milner a acreditar que o Facebook e outras empresas de internet mais concentradas no mercado doméstico americano poderiam se beneficiar com uma expansão no exterior. Milner foi quem orquestrou a compra de ações do Facebook por parte da empresa russa antes da abertura de capital.

Usmanov ainda detém uma grande participação no Facebook - a quantia não é revelada - através de uma holding separada de investimentos chamada DST Global. Esta empresa controla suas ações na Zynga e no GroupOn, e em outras empresas de internet, como Twitter, ZocDoc, Spotify, Airbnb, Alibaba e 360buy.

Num dado momento Usmanov e outros investidores russos eram proprietários de quase 10% do Facebook, embora detalhes a respeito sejam difíceis de obter. Os investimentos foram realizados durante vários anos por meio da DST Global e da Mail.ru. DST Global é uma empresa de capital fechado e não divulga o valor dos aportes.

Apesar de sua participação razoavelmente grande no Facebook, Usmanov e seus parceiros russos aceitaram desde o início que o cofundador e diretor executivo do site social, Mark Zuckerberg, exercesse o direito de voto por procuração no tocante às suas ações. Os investidores também não exigiram assento no conselho do Facebook e não interferem nas políticas do site quanto à privacidade ou assuntos políticos, preservado sua independências uma vez que ele teve um papel importante na política doméstica russa. / TRADUÇÃO TEREZINHA MARTINO

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