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Grupo St. Marche vai trazer Eataly para o País

Sócios brasileiros se preparam para abrir em São Paulo supermercado gourmet criado na Itália e hoje presente em cidades como Tóquio e Nova York

Cíntia Bertolino, Especial para O Estado,

17 de fevereiro de 2013 | 17h22

 

TURIM E SÃO PAULO - Foi o vídeo promocional de um carrinho de supermercado que serviu de gatilho para a nova empreitada dos sócios da rede St.Marche, de São Paulo. "Quando estávamos abrindo uma de nossas unidades, um representante de carrinhos nos mostrou um vídeo filmado em uma loja muito bonita. Achei o lugar incrível e perguntei que loja era aquela. Era o Eataly de Turim", diz Victor Leal, sócio fundador do St. Marche.

Pouco depois, Leal incluiu o lugar no roteiro das viagens que fazia com o sócio Bernardo Ouro Preto para conhecer novos empreendimentos e produtos. E bastou chegar na loja da megarrede italiana de produtos gourmet para os sócios terem certeza de que queriam trazer o conceito para o Brasil. "Tudo me impressionou. O tamanho, a arquitetura, a inovação, os ingredientes de qualidade, a valorização dos produtos da terra, além da proposta de misturar restaurantes e entretenimento em um espaço de compra", diz.

A parceria com o grupo italiano foi firmada há pouco mais de um ano. Agora, a dupla de sócios prepara-se para abrir o primeiro Eataly da América Latina. "No momento, estamos pesquisando pontos em São Paulo", afirma Leal. O plano é abrir a unidade um ano após a definição do ponto e seguir o modelo da loja de Nova York, inaugurada em 2010.

Com 22 lojas espalhadas pelo mundo, o Eataly ganhou popularidade a partir de um conceito muito peculiar, resumido no slogan "a vida é muito curta para não comer e beber bem". Na rede, há um cuidado meticuloso com a seleção dos produtos. Quase todas as lojas têm cafés e restaurantes despojados, onde é possível escolher o prato do dia entre carnes, peixes, verduras e saladas, massas e pizza, embutidos e queijos. Todas as lojas vendem livros e pôsteres que indicam a sazonalidade de peixes, frutas e legumes. As maiores também têm espaços para aulas de culinária, degustação, lançamentos de livros e jantares especiais com chefs convidados.

A parceria. Depois do vendedor de carrinhos, foi outro fornecedor do St. Marche (dessa vez um fabricante italiano de massas) que promoveu o encontro entre os brasileiros e os proprietários do Eataly. Os italianos Oscar Farinetti e Luca Baffigo Filangieri se entenderam com os donos do St. Marche logo no começo. "Rapidamente nos demos bem", diz Leal.

Em Turim, Filangieri fez coro: "Tínhamos outros possíveis parceiros no Brasil, mas escolhemos trabalhar com o St. Marche, por uma série de razões, mas especialmente por Victor e Bernardo serem pessoas bacanas, que conhecem bem o mercado", disse.

Os quatro sócios têm perfis bem parecidos. Farinetti tinha uma bem-sucedida rede de lojas de eletrônicos, quando decidiu vender tudo e transformar a paixão por gastronomia em um grande negócio. Com o projeto bem delineado, ele o apresentou a Filangieri, financista milanês. Cansado do que chamou de "trabalho tedioso", Filangieri se associou a Farinetti.

Na ponta brasileira, Leal, assim como Farinetti, trabalhou com eletrônicos (foi diretor da Gradiente) e Ouro Preto, como Filangieri, fez carreira no mercado financeiro. Os empresários não tinham experiência no comércio de alimentos quando abriram a primeira St. Marche, no Morumbi, em 2002. Mas aprenderam rápido. Em março e maio deste ano eles abrem a 13ª e a 14ª unidades do grupo, ambas em Perdizes, São Paulo. O grupo, dono também do Empório Santa Maria, não divulga faturamento.

História. Na Itália, Oscar Farinetti levou seis anos pesquisando e pensando o que seria o Eataly. A primeira loja do grupo italiano, aberta em Turim em 2007, é um modelo bem acabado do estilo criado por ele. Esqueça as prateleiras atulhadas, corredores apertados, as luzes artificiais de um supermercado comum.

Instalado no prédio da antiga fábrica Carpano - onde, por muito tempo, produziram-se os renomados vermutes Carpano Antica e Punt e Mes -, o Eataly já nasceu grandioso. Ao longo dos 11 mil metros quadrados de um edifício agradável, foram espalhados produtos de qualidade, muitos impossíveis de encontrar em qualquer outro supermercado italiano. A grande atenção ao ingrediente, ao produtor e à especialidade local diferenciou de imediato o Eataly das outras redes varejistas europeias. A loja de Turim conta ainda com a filial de um restaurante fino, o Guido per Eataly (cuja sede na vila de Pollenzo ostenta duas estrelas Michelin); além de adega e uma cava de maturação de presunto de Parma que os clientes são encorajados a visitar.

Em 2012, o Eataly faturou  300 milhões. Uma parte do grupo dedica-se ao comércio de imóveis, enquanto outra administra 21 empresas (produtores de massa, vinho, água, cerveja, queijo...), das quais o grupo é acionista. A presença de tantas garrafas da venerável cantina Borgogno (fundada em 1761) nas prateleiras do Eataly se explica pela qualidade do produto, mas também pela participação do grupo nos negócios da vinícola. O mesmo se pode dizer de outro grande produtor de vinho, Fontanafredda e da cervejaria Baladin, cujo fundador, Teo Musso, foi um dos precursores da cerveja artesanal na Itália.

A mesma agressividade que fez os sócios comprarem participações em outras empresas norteia também a estratégia de expansão do grupo. Só no Japão, Eataly tem 12 endereços. Na Itália, as lojas se multiplicam em velocidade impressionante. Em 2013, novas unidades serão abertas em Bari, Piacenza, Florença e Milão. A de Milão ficará dentro do Teatro Smeraldo, uma antiga casa de espetáculos. A arquitetura original do prédio e o pequeno palco, que irá hospedar apresentações musicais, foram preservados. Por ano, as maiores lojas do país - a de Turim e a de Roma - recebem cerca de 11 milhões de visitantes.

Nos EUA, os donos do Eataly tentarão replicar o sucesso da loja de New York em Chicago, a partir de outubro. A imensa unidade nova-iorquina, aberta há dois anos em sociedade com os restaurateurs Lidia e Joe Bastiniachi, além do chef celebridade Mario Batali, recebe cerca de cinco milhões de pessoas por ano.

A empresa também dará início a um sistema de franquias, que começará com duas unidades. Em agosto, o Eataly Istambul abre na Turquia. Em outubro, a loja do Dubai Mall, nos Emirados Árabes, começa a funcionar - ainda que sem duas das grandes especialidades da casa: carne e embutidos com carne de porco, além da excepcional seleção de vinhos piemonteses.

Em 2014, já estão no calendário da empresa a abertura de lojas em Verona, (Itália), Boston (EUA), Londres (Inglaterra) e Moscou (Rússia). São Paulo aparece nos planos de 2015. Mas se depender do esforço dos sócios brasileiros, o futuro chega antes.

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