Grupo sueco aposenta aviões da Bombardier

Scandinavian Airlines anunciou que deixará de usar os turboélices Dash 8 Q400 após aviões terem feito três pousos forçados em dois meses

Ian Austen e Nicola Clark, O Estadao de S.Paulo

31 de outubro de 2007 | 00h00

A empresa aérea Scandinavian Airlines (SAS), com sede na Suécia, anunciou na segunda-feira que deixará de usar uma frota de 27 aviões fabricados pela canadense Bombardier e envolvidos em pousos forçados. O anúncio da SAS foi feito depois que um de seus aviões de passageiros Dash 8 Q400 fez um pouso forçado no sábado por causa de uma falha no trem de aterrissagem - o terceiro incidente desse tipo envolvendo a empresa em dois meses.Em março, problemas no trem de aterrissagem motivaram o pouso forçado de um quarto Q400, de propriedade de uma companhia aérea japonesa. Nenhuma outra companhia que opera os modelos Q400 suspendeu o uso dos aviões, com turbopropulsores, depois do anúncio da SAS.Na segunda-feira, entidades reguladoras apresentavam visões divergentes sobre o significado dos incidentes. A Agência Européia de Segurança na Aviação pediu uma reunião especial com a Bombardier, sediada em Montreal, e a Transport Canada, o órgão regulador responsável pelo licenciamento do avião. ''''Estamos muito preocupados com esse último acidente do Dash 8 Q400 e a possível relação com outros acidentes envolvendo o mesmo avião'''', disse Daniel Hõltgen, um porta-voz da agência européia.A Transport Canada e a Bombardier negaram que a série de pousos forçados poderia ser um sinal de problemas maiores no avião, normalmente usado em vôos curtos e em aeroportos com restrições de ruído. Lucie Vignola, uma porta-voz da Transport Canada, afirmou que o índice de falhas do trem de pouso do Q400 não é incomum, mas acrescentou que é inusual a ocorrência de tantos incidentes envolvendo a mesma companhia aérea.O sistema do trem de aterrissagem é fabricado pela subsidiária canadense da empresa americana Goodrich. Em mensagem de e-mail, John R. Arnone, porta-voz da Bombardier, afirmou: ''''A Bombardier e a Goodrich concluíram uma revisão completa do sistema de trem de aterrissagem do Q400 e os resultados confirmaram seu projeto seguro e sua integridade operacional.''''INCOMUMFred Mirgle, diretor do programa de ciências de manutenção da Universidade Aeronáutica Embry-Riddle, na Flórida, contestou a sugestão da Transport Canada de que falhas no trem de aterrissagem acontecem com certa freqüência. ''''Se pegássemos todos os incidentes com trens de aterrissagem e puséssemos num pote,constataríamos que a falha não é comum'''', disse. Mirgle afirmou que, embora os relatórios de acidentes na aviação mostrem um número relativamente alto de episódios ligados ao trem de aterrissagem, eles normalmente envolvem problemas como defeitos nos pneus, que não costumam motivar pousos forçados nem danificar o avião. Embora ninguém tenha ficado gravemente ferido nos pousos forçados dos Q400, todos causaram danos substanciais nos aviões. O motor de uma aeronave da SAS chegou a pegar fogo durante o pouso.Após os dois primeiros pousos forçados da SAS, a Transport Canada ordenou que mais de um terço dos 160 aviões Q400 em operação no mundo fosse estacionado para uma inspeção do principal trem de aterrissagem. A medida resultou em vários atrasos e cancelamentos de vôos da Horizon (unidade da Alaska Air e única companhia dos EUA que opera o Q400), da SAS e de outras companhias européias.PROBLEMAS3 é o númerode pousos forçados feitos pela SAS com aviões da Bombardier em dois meses

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