Grupo vendia sentenças

A Operação Zelotes investiga processos de 74 contribuintes, pessoas físicas e jurídicas, que podem ter sido favorecidos no esquema de corrupção do Conselho de Recurso Administrativo Fiscais (Carf), uma espécie de "tribunal" da Receita Federal. Esses casos discutem débitos de

O Estado de S.Paulo

04 Abril 2015 | 02h02

R$ 19 bilhões com o fisco.

Os prejuízos já apurados, segundo os investigadores, alcançam R$ 6 bilhões. Esse valor seria três vezes o que foi desviado da Petrobrás por meio do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. O Ministério Público Federal calcula que os desvios da estatal totalizaram R$ 2,1 bilhões.

A Polícia Federal afirma que o grupo investigado atuava para reverter ou anular as multas da Receita no Carf, órgão ligado ao Ministério da Fazenda, subornando os conselheiros. Os casos em apuração envolvem suposta venda de pedidos de vista, pareceres de admissibilidade e até inclusão ou retirada de processos da pauta de julgamentos.

Segundo a PF, o grupo, que envolve ao menos 24 conselheiros, ex-conselheiros, advogados e lobistas, teve acesso privilegiado às informações do Carf para identificar "clientes". Grandes empresas com débitos em discussão eram procuradas por "captadores" de clientes - geralmente empresas de lobby ou escritórios de advocacia ou assessoria tributária ou contábil. O pagamento de propina a conselheiros, diz o inquérito, era feito por essas empresas.

O Carf é formado por representantes da Fazenda e dos contribuintes. Julga processos que somam débitos de R$ 580 bilhões.

As investigações da Operação Zelotes começaram em 2013 e abarcam processos em tramitação no período de 2005 a 2015.

O nome Zelotes vem do adjetivo zelote, referente àquele que finge ter zelo. Ele faz alusão ao contraste entre a função dos conselheiros do Carf de proteger os cofres públicos e os possíveis desvios que efetuaram.

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